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Transparência - Tirando as máscaras

Transparência parece ser a palavra de moda, porém é uma palavra importante para Mulheres em Ministério. Transparência é um dos valores essenciais para a vida de qualquer crente que queira crescer espiritualmente, incluindo Mulheres em Ministério (esposas de pastores e educadoras cristãs). No ministério e em qualquer relacionamento, a autenticidade é essencial. O problema é que todos nós construímos e passamos a usar máscaras que disfarçam e ocultam quem realmente somos. Essas máscaras servem como barreiras à transparência até em nossa própria vida espiritual. Para ouvir com clareza a voz de Deus, para trabalhar bem em equipe e desenvolver relacionamentos saudáveis, ou simplesmente para ser mais como Jesus, é fundamental tirar nossas máscaras e termos a transparência como alvo em nossas vidas.

Desde a tentativa de Adão e Eva de se esconderem no jardim, vemos a tendência humana de fugir da verdade. Satanás é mentiroso (II Ts 2:9-11) e os fariseus, na época de Jesus, foram criticados por terem o exterior limpo (porque usavam máscaras) e o interior cheio de perversidade (Lc 11:39-41).

 

A esposa de pastor ou de outro líder precisa se esforçar para ser uma mulher autêntica. Há muitos inimigos que ameaçam e causam um desejo de se proteger e se esconder atrás de uma máscara. Por exemplo, o desejo de ser bem vista por outras pessoas pode levar uma mulher a fingir ser o que ela não é. E uma rejeição no passado pode levar qualquer uma à tendência de viver com um forte desejo de ser aceita. Eu sei que o medo do que outras pessoas pensam sobre mim pode me fazer correr para a loja de fantasias. Outras esposas de pastores lutam contra o perfeccionismo. Uma pode pensar que seu casamento precisa sempre ser nota 10 e exige de seus filhos um comportamento “perfeito”. Autoestima baseada em coisas erradas tira o nosso foco do Senhor.

Estou convencida de que a falta de transparência é frequentemente causada por pecado em nossas vidas. Quando estamos vivendo num estado de orgulho, de raiva, de infidelidade ou de outro pecado, não estamos andando na luz, mas nas trevas. Pecado em nossas vidas é a causa principal de nosso desejo de fingir e de escondermos quem realmente somos. E, como resultado, aceitamos uma separação de Deus. Além da separação de Deus, o pecado não confessado também causa problemas pessoais (estresse, fadiga, falta de crescimento espiritual) e problemas interpessoais (isolamento, hipocrisia, superficialidade). Confissão do pecado, em primeiro lugar, para Deus e, depois, para uma pessoa ou um grupo pequeno de confiança é essencial para voltar a viver na luz do perdão.

Jesus é modelo de transparência. Ele mesmo declara ser a Verdade (Jo 14:6). Ele mostrou raiva santa, frustração, tristeza e luto. Porém, continuou em perfeita comunicação com Seu Pai enquanto viveu situações muito difíceis aqui na terra. Também criou amizades profundas com outras pessoas. Ele andou com doze homens e escolheu três como amigos ainda mais próximos. Vemos isso ainda em João 11, quando as irmãs de Lázaro mandam chamar Jesus, dizendo “Senhor, está enfermo aquele a quem amas”. Outros exemplos de grande transparência na Bíblia não faltam. Os Salmos são repletos de exemplos das tristezas e alegrias de Davi. Suas derrotas e vitórias são evidenciadas sem serem escondidas atrás de qualquer desejo de parecer ser o que não é. Paulo fala de suas vitórias e dificuldades (Rm 7:7-20; II Co 11:16 e 12:10). Ele confessa pecados e desenvolve um ministério maravilhoso e amizades íntimas com outros no ministério.

Além dos exemplos de Jesus, Davi, Paulo e muitos outros personagens bíblicos, há muitas outras evidências de que honestidade e transparência são valores importantes para todos nós. Tiago escreve “Não neguem a verdade” (3:13-18) e, em Efésios, Paulo nos exorta a abandonar a mentira (4:25-27). Zacarias 8:16 nos encoraja a falar somente a verdade uns aos outros. Enfim, “a verdade vos libertará” (Jo 8:32).


No livro Fique Esperto (Editora Betânia), o autor, Tom Allen, enumera tolices que prejudicam o crescimento espiritual. Valorizar as aparências mais do que a vida interior é um deles. Outra é tentar ser bem-sucedido espiritualmente, sem procurar ajuda no Corpo de Cristo. Para evitar essas duas tolices e abraçar a transparência, seguem algumas ações que sugiro para todos nós, em especial para as Mulheres em Ministério.

1. Faça testes de autoavaliação. Na revista Diadema Real Nº 77 (Setembro – Dezembro 2013, há uma lista de Dez Perguntas para Mulheres que podem ser usadas para esse fim.

2. Desenvolva amizades com outras mulheres que entendem sua realidade e que também querem crescer espiritualmente.

3. Peça para outra mulher a ajudar a perceber seus próprios pontos cegos e faça o mesmo com ela. Seja honesta e ajude as outras a serem honestas.

4. Seja aberta à correção.

5. Desenvolva transparência e confiança em conjunto, assim, a transparência é mais saudável e segura.

6. Procure ter o compromisso de orar e de se preocupar com outra mulher.

7. Quando possível, forme um grupo pequeno de 3 a 10 mulheres para encorajamento mútuo.

8. Priorize os relacionamentos com pessoas que ajudem você a ser transparente. 

Uma mulher que procura ser autêntica verá muitos resultados positivos em sua vida. Em primeiro lugar, a própria vulnerabilidade criada fará com que a pessoa seja mais sensível à voz de Deus. A pessoa também será capaz de criar relacionamentos mais saudáveis com o cônjuge, com outros familiares, com amigas e com outros. A aceitação de outras pessoas, que nos conhecem como verdadeiramente somos, cria comunhão e intimidade. É um risco? Claro que sim! É fácil? Nem sempre. Mas a transparência saudável vale todo o esforço.


Barbara Lamp
Missionária da SEPAL
Natal – RN

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