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A BOA CONSCIÊNCIA E A INQUIRIÇÃO ESPIRITUAL

Orai por nós, pois estamos persuadidos de termos boa consciência, desejando em todas as coisas viver condignamente. Rogo-vos, com muito empenho, que assim façais, a fim de que eu vos seja restituído mais depressa.

Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!

Rogo-vos ainda, irmãos, que suporteis a presente palavra de exortação; tanto mais quanto vos escrevi resumidamente.

Notifico-vos que o irmão Timóteo foi posto em liberdade; com ele, caso venha logo, vos verei.

Saudai todos os vossos guias, bem como todos os santos. Os da Itália vos saúdam.

A graça seja com todos vós. (Hebreus 13:18-25).


Todos nós temos um atributo chamado consciência. Ela nos ajuda a saber o que é certo ou errado e nos dá condição de uma autoanálise espiritual. É a inteligência espiritual e moral que proporciona algumas transformações como a conversão (Rm 10.9-10), a renovação espiritual (Rm 12.1-2), a consciência do pecado (1 Jo 3.19-22), a prática da oração e a confiança na intervenção de Deus (Fl 4.6-7).


Inquirição espiritual é colocar a nossa inteligência a serviço de Deus; é deixar Deus e sua Palavra nos vasculharem. Os instrumentos de Deus para isto são a sua Palavra, que penetra em nossa mente como uma espada afiada (Hb 4.12), e a oração que nos conduz para perto daquele que nos conhece bem (Sl 139.23-24), bem como a voz do Espírito Santo, nos falando diretamente, pois o Espírito Santo se comunica com o nosso espírito (Rm 8.16). Todo salvo precisa desta inquirição, deste autojulgamento. Aliás, os que se julgam não são julgados por outros (1 Co 11.31).


Conforme o texto acima, os resultados de quem pratica esse exercício de inquirição espiritual são importantíssimos. São eles:


O desejo de uma vida digna (V. 18 e 19). É este instrumento chamado boa consciência que nos dá condição de uma autoavaliação para vermos se estamos vivendo dignamente. O autor está dizendo que, analisando sua própria consciência, ele encontrou a sua vida digna. Sem a inquirição espiritual nos tornaremos cauterizados, como as pessoas descritas em 1Tm 4.2, que não conseguiam enxergar mais os seus próprios erros. Davi em tempos de confissão orava pedindo que Deus vasculhasse a sua mente e o dirigisse por um caminho eterno (Sl 123.24).


Neste texto o autor aos Hebreus cita a oração como um instrumento muitíssimo eficaz para a obtenção da boa consciência. Ele pede oração para que alcance uma vida digna (v.18 e 19).

As práticas devocionais como a oração, a leitura da Bíblia, a comunhão com os irmãos, ajudam a nossa consciência a detectar se estamos vivendo ou não uma vida digna de Deus.


O aperfeiçoamento para o bem (V. 20, 21 a). Nós nos analisamos à luz da perfeição de Cristo (v.21). Se nos analisarmos à luz dos homens, talvez nos encontremos em uma boa posição. Foi assim com o fariseu que orava na praça e se comparava com o publicano. No entanto, diante de Cristo ele não passava de um hipócrita (Lc 18.11).


Jesus é o referencial para a nossa perfeição. O autor aos Hebreus diz que temos uma grande nuvem de testemunhas que nos rodeia, mas não nos manda olhar para nenhuma delas, mas tão somente para Jesus. (Hb 12.1-2).


Essa semelhança com Jesus não vem automaticamente, mas através da oração e exercícios espirituais. Vamos olhando até sermos transformados à sua imagem (2 Co 3.18). Isto se dá em oração e também através da observância do modelo de Jesus deixado nos Evangelhos, pois os seus exemplos nos foram deixados para que sigamos os seus passos (1Pe 2.21).


A vida agradável a Deus (v.21). A Bíblia está cheia de revelações do que desagrada a Deus. Aqui se diz também o que o agrada: a boa consciência. Agradar a Deus não é só deixar de fazer algo, mas uma atividade renovadora em nossa mente: “operando em vós o que é agradável”. À medida em que conhecemos mais a Deus na pessoa de seu Filho e em sua Palavra; à medida que oramos; à medida que praticamos os exercícios espirituais, tanto mais vamos conhecendo o que é agradável a Deus. O Senhor opera para que façamos o que é agradável diante dele (v.21). O resultado desta intervenção de Deus e a nossa resposta em fazer o que é agradável a Deus é que gera este lindo final: “por Jesus Cristo a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!”


A obediência diante da exortação (v.22). Em um tempo em que os crentes buscam palavras de alento e consolo, o autor bíblico nos incentiva a suportarmos as exortações da Palavra. Uma mente sadia diante de Deus não se deixará adoecer diante de exortações. Ainda mais quando estas também são instrumentos de Deus para o nosso bem. Suportar as exortações é estar submisso a todo o conselho de Deus e não apenas às partes agradáveis. Vejam que o texto fala de suportar, aceitar, prestar muita atenção, mesmo que com sofrimento.


É através da inquirição espiritual que nos propomos a ser exortados pelo Senhor, e na maioria das vezes através de seus servos, pois Deus usa os homens para nos advertir e exortar (Rm 12.8; 2 Co 5.20; Tt 2.6).


Sendo assim, à luz deste texto e de toda a Palavra de Deus, embalados pelo Espírito Santo, sempre inquiramos nossas mentes e corações. Perguntemos sempre: o que amamos de fato? O que preenche os nossos pensamentos? O que nos motiva? O que desejamos? O que admiramos? O que queremos ter? O que Deus está nos dizendo hoje? Que pecados temos abraçado? O que temos respondido a Deus?


Não nos esqueçamos que somos indesculpáveis pois Deus nos dotou de uma consciência, e esta precisa ser colaboradora do Espírito Santo para que tenhamos uma vida linda na sua presença.


 

Pr. Luiz César

Presidente da ICEB

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