A cultura do aconselhamento entre mulheres

Certa vez uma jovem recém-casada participou de uma reunião de oração de mulheres. Ali a moça ouviu pedidos relacionados a saúde dos familiares, aos desempregados, a conversão dos parentes, as preocupações com o bem estar dos irmãos, leram um texto bíblico, fizeram algumas considerações e finalizaram com um banquete. No entanto, a jovem chegou com o coração pesado por situações que não estava conseguido lidar no casamento e partiu com o mesmo peso na alma. No dia seguinte resolveu procurar uma terapeuta profissional.


Esse tipo de situação é familiar pra você? Quantas mulheres sofrem sozinhas em meio a multidão de amigas e irmãs? Sofrem por não entenderam quem Deus é, quem elas próprias são, como lidar com o coração e o que fazer de acordo com a vontade de Deus. Acabam procurando um profissional que as ouvirão e tentarão encontrar respostas a tantas questões. Mas o que a Palavra de Deus diz sobre qual deveria ser a postura diante de um problema seja nosso ou de outra irmã?


Por toda a Bíblia vemos que o aconselhamento, o discipulado, a instrução para a vida devem ser feitos pela Igreja, não somente como instituição – referindo a pastores e líderes, mas pela Igreja orgânica – o povo de Deus. O apóstolo Paulo diz que as mulheres mais velhas “sejam sérias em seu proceder, não caluniadoras, não escravizadas a muito vinho; sejam mestras do bem, a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos, a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada” (Tito 2:3-5). As mulheres, portanto, devem aconselhar umas às outras, mais especificamente a mulher mais velha tem o papel de instruir a mais nova sobre a vida cristã e a família.


Por que em nosso tempo é mais fácil procurar um profissional do que procurar uma irmã experiente de nossa igreja? Por que é mais fácil falar de trivialidades e das dificuldades dos outros do que falar sobre nossos corações infestado de tristezas, mágoas e pecados? Talvez porque abrimos mão dessa verdade bíblica e terceirizamos o aconselhamento como se não fosse nossa responsabilidade.


A jovem recém-casada poderia ter saído da reunião com o coração mais leve, se compartilhasse com alguma das irmãs a sua dor e se houvesse ali uma irmã conselheira. Precisamos crer, irmãs, que a Palavra de Deus não falha, que aquilo que Deus nos pede Ele nos capacita a fazer, e então pela fé assumirmos nosso papel como mestras do bem. Precisamos desenvolver a cultura do aconselhamento mútuo e profundo para que nossas almas sejam curadas e vivamos como filhas do Rei neste mundo.


Ed. Débora Coutinho Rodrigues

ICE Central de São José dos Campos

@deboracoutinhorodrigues