A ICEB CRÊ NA EXISTÊNCIA DA TRINDADE – UM SÓ DEUS EM TRÊS PESSOAS

Cremos que há um só Deus na Sua essência, mas que subsiste em três pessoas distintas, coiguais em poder e em glória e coeternas - Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, tendo os mesmos atributos e perfeições. Mt 3:16,17; 28:18,19; Jo 14:16,17;16:12-15; 2 Co 13:13; Gl 4:6,7; Hb 9:14; I Jo 2:22,23; 5:6-12 (Confissão de Fé da ICEB, Artigo Primeiro).

Ainda que nas Escrituras não apareça a palavra “Trindade”, toda ela, de forma clara, aponta para a existência de um só Deus, mas em três pessoas distintas. Trata-se de uma doutrina muito importante, especialmente para uma melhor compreensão das doutrinas cristãs, da deidade de Cristo, da imutabilidade de Deus, dentre outras verdades. Sem uma compreensão da Trindade teríamos dificuldade em entender como Deus se relaciona com a sua criação. Vejamos então como a Confissão de Fé da ICEB entende sobre esta maravilhosa doutrina:


1- A Trindade aponta para mesma essência divina nas três pessoas.


O Pai, o Filho e o Espírito Santo, que são as três pessoas da Trindade, são iguais em sua natureza. Conforme Berkhof ,toda a essência de Deus pertence igualmente a cada uma das três pessoas. Quer dizer que a essência não é dividida entre as três pessoas, mas está com a totalidade absoluta da sua perfeição em cada uma das pessoas, de modo que têm unidade numérica de essência (Teologia Sistemática, Berkhof p. 89). Cada pessoa é plenamente “Deus”. O Pai é Deus desde o primeiro versículo da Bíblia, que diz: No princípio, criou Deus os céus e a terra (Gn 1.1).


O Filho é muitas vezes declarado nas Escrituras como plenamente Deus, como por exemplo em João 1.1-4. O verso primeiro diz: No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Entendendo que o Verbo aqui é uma referência a Jesus, como se vê nos versos seguintes. O próprio Senhor Jesus se declara “Deus” ao aceitar a adoração de Tomé que o chama de meu Deus (Jo 20.27). O autor aos Hebreus afirma que Jesus é a expressão exata de Deus (Hb 1.3).


O Espírito Santo é plenamente Deus. Em Mateus 28.19 Ele é citado com plena igualdade com o Pai e o Filho. No nome do Espírito Santo deveriam ser batizados os convertidos, tanto quanto no nome do Pai e do Filho. Pedro, em Atos 5.3 a 4 declara que mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus.


2- A Trindade aponta para três pessoas distintas


Conquanto Deus seja um em sua essência, trata-se de três pessoas em sua natureza. O Pai não é o Filho pois ambos são revelados ao mesmo tempo, como por exemplo no batismo de Jesus. Ali o Filho é batizado e o Pai, de maneira distinta brada: Este é o meu filho amado, em quem me comprazo (Mt 3.17). O batismo dos convertidos deveria ser em nome de três pessoas distintas (Mt. 28.19). O Filho não é o Espírito, pois em João 15.16; 16.7 Jesus disse que enviaria o Espírito aos discípulos após a sua partida. Trata-se então de duas pessoas distintas. O Pai não é o Espírito. Em Romanos 8.26 somos informados que o Espírito Santo intercede por nós junto ao Pai, mostrando assim tratarem de duas pessoas diferentes.


3- As pessoas da Trindade são iguais em poder, glória e eternidade


Conquanto sejam distintos em sua função, todas as pessoas da Trindade são iguais em poder glória e eternidade. Ambas estavam presentes na criação, como vemos em Gênesis 1.26 quando o Senhor disse: façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Ambas têm autoridade para atuar na terra como aconteceu no episódio da Torre de Babel (Gn 11.7). A Trindade está presente em sua inteireza no batismo de Jesus (Mt. 3.16,17); na autoridade dada aos discípulos para batizar (Mt. 28.19). Paulo fazia questão de saudar as igrejas destacando as três pessoas da Trindade, como por exemplo em 2 Coríntios 13.13, ao dizer: A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.


O Pai, o Filho, e o Espírito Santo coexistem eternamente. Nenhuma das pessoas teve início ou terá fim. Conforme o Salmista, Deus (e aqui podemos assegurar que se refere à toda a Trindade) existe de eternidade a eternidade, isto é, Ele é eterno para trás e para frente (Sl 90.2). Enfim, não existe qualquer menção nas Escrituras de que uma ou duas pessoas da Trindade não sejam eternas. Grudem nos ajuda neste sentido com as seguintes palavras: As diferentes funções que vemos o Pai, o Filho e o Espírito Santo desempenharem são simplesmente ações exteriores de uma relação eterna entre as três pessoas, relação essa que sempre existiu e existirá por toda a eternidade. Deus sempre existiu com três pessoas distintas, Pai, Filho e Espírito Santo. Essas distinções são essenciais à própria natureza de Deus e não poderiam ser diferentes (Teologia Sistemática- Grudem, p. 1895.).


4- Todas as pessoas da Trindade têm os mesmos atributos e perfeições.


Finalmente a nossa Confissão de Fé afirma que ambas as pessoas da Trindade têm os mesmos atributos. Ambas são eternas, imutáveis, santas, onipotentes, onipresentes e oniscientes. Cada uma das pessoas é plenamente Deus.


A doutrina da Trindade nos ajuda na compreensão do relacionamento entre estas pessoas desde a eternidade e nos desafia a nutrirmos relacionamentos baseados no amor, santidade e perfeição destas pessoas. A doutrina da Trindade também nos ajuda a compreender o papel principal que cada um desempenha no seu relacionamento com a criação e especialmente com a salvação do homem. Deus Pai tem proeminência na criação, Deus Filho na obra salvífica do homem e o Deus Espírito Santo age primordialmente na santificação e preservação dos crentes.


Deus nos permitiu este conhecimento dele mesmo em três pessoas para nossa edificação e para o louvor de sua própria glória.


Pr Luiz César Nunes de Araújo

Presidente da ICEB