A ICEB NÃO É NEOPENTECOSTAL

Graça e Paz!

À luz de nossa Confissão de fé citamos algumas razões por que a ICEB não é neopentecostal. Que a leitura nos ajude no fortalecimento de nossas bases doutrinárias.


1. CONFISSÃO DE FÉ - A Confissão de Fé da ICEB em nenhum de seus 15 artigos diz que práticas neopentecostais, como confissão positiva, quebra de maldições, mapeamento territorial de demônios, cultos que anunciam batismo com o Espírito Santo (A ICEB ensina que batismo no Espírito Santo acontece na conversão – CFICEB art. 4, seção II)[1], conferências proféticas, discipulado autoritativo, cultos de milagres, cultos que prometem bênçãos e coisas semelhantes, são aceitas. Pelo contrário, um minucioso estudo dela nos aponta para pontos doutrinários que não são compatíveis com estas práticas do neopentecostalismo. A ICEB, por seus princípios doutrinários e pela teologia de seus cultos, ao longo de sua história, não reconhece tais práticas. O culto deve ser somente à Deus, em espírito e em verdade (Êx 20.1-6; Mt 4.10; Jo 4.23).


2. TRADIÇÃO - A tradição da ICEB nos remete para um passado glorioso, de grandes pregadores, de uma teologia bíblica, de um equilíbrio teológico, de uma liturgia cheia de teologia, do uso dos Salmos e Hinos e de cânticos testados teologicamente. Práticas neopentecostais em igrejas da ICEB são recentes e estranhas à nossa história centenária. Este “fogo estranho” não alcançou nossos obreiros das décadas passadas e nem foi vislumbrado em qualquer de nossos cultos e convenções. O culto cristão evangélico visa glorificar a Deus e não desenvolver "campanhas" de cura, revelação, prosperidade e práticas semelhantes. O Seminário da ICEB, o SETECEB é um seminário histórico, conservador, fomentador de uma doutrina bíblica em consonância com a tradição e história da própria denominação.[2]


3. ORDENAÇÃO MINISTERIAL - A ordenação de pastores na ICEB não contempla a colocação de obreiros locais sem que o seu Departamento Ministerial autorize. Não existem na ICEB pastores locais, ordenados pelo pastor titular. Não existe ordenação apressada e baseada na capacidade da pessoa em comandar pessoas ou em dirigir células (1 Tm 3.6, 10; 5.22). Esta prática neopentecostal não tem guarida no Regimento do Departamento Ministerial da ICEB (RICEB 1, art. 2, V). Em nossa denominação somente pastores formados em teologia e aprovados pela MEAN podem assumir uma de suas igrejas. Os obreiros da ICEB são vocacionados, preparados teologicamente e ordenados pela denominação (RICEB cap. V, art. 42, seção VI; art. 52, I-X).


4. MINISTÉRIO FEMININO - A ICEB conquanto valorize muito o ministério feminino, visto que tem dezenas de educadoras e missionárias, não aceita a ordenação de mulheres para o ministério pastoral (RICEB IX, art. 51). No neopentecostalismo e até mesmo em algumas igrejas pentecostais as esposas dos pastores são chamadas de pastoras e em muitos casos mulheres podem assumir o ministério pastoral; na ICEB não. Qualquer obreira ou esposa de pastor que reivindicar este tratamento ou mesmo aceitá-lo está em desacordo com os documentos da ICEB e em desobediência às autoridades eclesiásticas a que está sujeita e em pecado contra a sua denominação (1Cor 11.3; Ef 4.11; 1Tm 3.1-5, 5.17-25; Tt 1.5-9; 1Pe 5.1-4).


5. PROSELITISMO - A ICEB não cresce por proselitismo, mas por evangelização séria e comprometida com a Palavra de Deus. A nossa ênfase é no “ide” e não no “vinde”. No neopentecostalismo há uma ênfase em programas e campanhas que visam atrair, na sua maioria, crentes de outras igrejas e denominações; na ICEB a evangelização não é assim. Na ICEB os homens são evangelizados e discipulados e não coagidos e instigados a frequentar a igreja em função de programações especiais com finalidades proselitistas. Queremos tirar pessoas do inferno e não de outras igrejas (Mt 28.18-20; Mc 16.15-16; At 1.8).


6. A REVELAÇÃO ESPECIAL - A ICEB enfatiza a pregação da Palavra de Deus e não a revelação oral advinda da mente de alguns. A pregação é preparada com zelo após um afadigado estudo das Escrituras (1Tm 5.17) e não buscada nos montes e nas revelações puramente humanas e muitas vezes carnais. O que é infalível na pregação da ICEB é a Palavra de Deus e não as “revelações e sentimentos do pregador”. A Palavra de Deus, completa, bem interpretada e legitimamente pregada é o recurso especial para a edificação de uma igreja cristã evangélica. Um pastor cristão evangélico busca a mensagem a ser pregada em oração e em estudo e não nas supostas revelações de homens. Na ICEB não temos “Conferências Proféticas”, mas pregações bíblicas, relevantes e cristocêntricas (2Tm 4.1-2, 3.16; Jo 5.39; CFICEB art. 5).


7. O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO - Na ICEB não há uma ênfase exacerbada na pessoa e obra do Espírito Santo, mas em toda a Trindade Santa. No neopentecostalismo o Espírito Santo parece ser a única pessoa da Trindade a agir na igreja. Tudo é atribuído a Ele. Conquanto o Espírito Santo seja Deus e tenha um papel especial na igreja, Ele se une ao Pai e ao Filho para fazerem uma obra completa. Ele não é superior aos demais e nem age independentemente do Pai e do Filho. Ensinar que estamos na era do Espírito Santo tão somente é desconhecer o conjunto das Escrituras e o seu ensino equilibrado sobre a Trindade Santa (CFICEB, art. 1-4).


8. O MISTICISMO - A ICEB não adota práticas místicas para se ter comunhão com Deus. Temos como meios de comunhão com o Senhor as práticas devocionais (oração, leitura da Bíblia, jejuns, comunhão com os irmãos, audição de pregações bíblicas) e não as interpretações de sonhos, as palavras denominadas “proféticas”, as fitas amarradas no braço, as “correntes” de oração, a colocação da mão direita no coração, unção de dizimista e práticas que se assemelham mais com o espiritismo do que com o cristianismo. Na ICEB a experiência se submete ao crivo das Escrituras (2 Pedro 2. 16-21).

Em nossa denominação não existem objetos sagrados (óleo, lenço, sabonete, candelabros), Deus é adorado em espírito e em verdade (Jo 4.24). Não ungimos chaves, carros, roupas, carteiras, casas e qualquer outro objeto. Uma Igreja Cristã Evangélica é considerada uma extensão do reino de Deus e não deve se assemelhar a um centro espírita ou a uma cerimônia de pajelança. A fé salvadora vem ao coração do crente pela graça de Deus e não através de práticas místicas destituídas da possibilidade de um crivo das Escrituras (Rm 10.17; Cl 2.8; 1Tm 4.7).

Essas práticas são discrepâncias que revelam, de modo nenhum, serem apostólicas (2Cor 1.13). Seguem tradições humanas, fruto de suas mentes prodigiosas e que não se submetem às Escrituras e nem à Confissão.


9. O PRAGMATISMO - Na ICEB não existe um pragmatismo religioso, isto é, se uma prática religiosa está dando certo em uma igreja, não adotamos sem observar os critérios bíblicos e denominacionais. A ICEB tem uma eclesiologia própria e, mesmo respeitando a prática de outras igrejas, não abre mão de sua própria eclesiologia. Se uma igreja vizinha tem a terrível mania de mandar em Deus, de decretar o que Ele vai fazer, por exemplo, e isto enche a igreja, nós não caminhamos na mesma direção. Se outra igreja está crescendo por fazer seções de “quebra de maldições”, nós não a seguimos por isso. A ICEB tem autonomia litúrgica; ela não está a reboque de ninguém, mas somente de Deus e o que Ele determinou em sua Palavra. Há teologia na liturgia por isso a nossa denominação não abre mão daquilo que aprendeu há muitos anos atrás.

Outra influência muito comum advinda do pragmatismo religioso é a exclusão da Escola Bíblica Dominical (EBD) em sua estrutura eclesiástica. O ensino da Bíblia é colocado de lado em troca de eventos de entretenimento e até mesmo deixando o tempo vago, prejudicando o crescimento espiritual dos seus membros. A EBD é norma essencial na eclesiologia da ICEB (RICEB I, art. 1, VI). A ausência de EBD impede a organização da igreja, fazendo-a retornar ao status de congregação ou campo missionário.


10. OS SUPER PASTORES - A ICEB não tem superpastores, apóstolos e bispos. Os seus líderes espirituais são modestos e não buscam os aplausos e aprovação humana. Na ICEB os pastores não têm seus próprios “ministérios”, não colocam suas fotos nas fachadas das igrejas, não têm uma “unção especial” que os distinguem dos demais crentes; eles são “companheiros de caminhada” de suas ovelhas (1 Pe 5.1-4). Diferentemente do neopentecostalismo, onde há um forte personalismo, na ICEB todos são iguais e exercem o seu ministério debaixo da autoridade de Deus e de sua liderança denominacional. Como herdeiros tradição reformada[3] a ICEB aceita o sacerdócio universal de todos os crentes e não somente de alguns que se consideram distintos e iluminados (1Pe 2.9; Fp 2.5-7; Jo 13).


CONCLUSÃO:

São por estas e outras razões que afirmo que a ICEB não é neopentecostal. Não cabe a nenhum de seus obreiros esta prática. Seria um pecado enorme qualquer um de nós desprezar a orientação de nossa denominação, que é histórica e adotar costumes neopentecostais. Não nos atrevemos a afirmar que o movimento neopentecostal é totalmente errado, mas existem práticas neste movimento contrárias à sã doutrina e, portanto, para um obreiro da ICEB é pecado adotá-las.

[1] CFICEB – Confissão de Fé da Igreja Cristã Evangélica do Brasil

[2] A liturgia cristã evangélica pode ser conhecida pelos jornais “Elo da Fé”, pelo Catecúmenos e pelos boletins das principais igrejas. Pelo uso do Salmos e Hinos e pelos elementos do culto pode-se dizer que é um culto bíblico/kalleiano.

[3] A ICEB é uma denominação teologicamente reformada e historicamente autóctone, isso pode ser confirmado pela influência de seus principais documentos: Catecúmenos, pelas Conclusões Teológicas do Rev. Acácio Gedeão Coutinho, pelos 28 Artigos do Robert Kalley e pelo Salmos e Hinos dos Kalleys. Não é reformada aos moldes presbiterianos e nem episcopais, aos quais respeitamos e admiramos, mas aos moldes e princípios kalleianos. A ICEB tem sido reconhecida no protestantismo brasileiro como a 2ª denominação mais kalleiana do Brasil, em alguns momentos até confundida com o congregacionalismo. Cf. CARDOSO, Douglas Nassif. Robert Reid Kalley: médico, missionário e profeta. SBC: do autor, 2001, p. 15. Nós temos uma Teologia, Liturgia, Governo de Igreja e uma tradição bem fundamentada.

Pr. Luiz César Nunes de Araújo

Presidente da ICEB

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