top of page

A IGREJA E OS VOCACIONADOS

Todo cristão é vocacionado, a fim de contribuir com a edificação do Corpo e para o benefício de muitos.  Alguns, no entanto, são escolhidos para uma vocação especial, por uma capacitação sobrenatural, embora nossas inclinações naturais e habilidades pessoais, desenvolvidas com a aprendizagem e o treinamento, também sejam aproveitadas nesse chamado. 

 

Essa convocação para tarefas específicas pode ocorrer de maneira repentina e sobrenatural, mas, via de regra, se dá espontaneamente. Ela pode ocorrer instigada pela consciência das necessidades ao redor, pelas aptidões naturais de que dispomos ou pelo reconhecimento e motivação por parte dos que nos cercam, especialmente da igreja, a fim de atender a essas demandas.

 

É bom que se entenda, no entanto, que nada disso depende de nossas decisões ou escolhas. O que ocorre é um despertar congênito, embutido em nossa nova natureza, que nos torna sensíveis ao que o Espírito fala ao nosso espírito, conduzindo-nos ao querer de Deus.

 

Fomos regenerados justamente com o propósito de servir, com tudo o que temos e somos; não apenas como ouvintes, mas sendo aquele tipo de praticante capaz de oferecer a si mesmo como sacrifício “vivo, santo e agradável” Àquele que nos resgatou. E a melhor maneira de prestarmos esse serviço é assumindo nossos status de sal e luz no cotidiano de nossa vida.

 

A verdade é que a evangelização, o plantio de igrejas, o encorajamento dos crentes, o serviço social e o ensino da Palavra não são responsabilidades de um “grupo seleto”, mas de toda a Igreja, incluindo você e eu. E, embora reconhecendo não haver maior honra do que a “soberana vocação”, tão exultada por Paulo (Fp 3.14), pelo autor de Hebreus (Hb 3.1) e por Pedro (2Pe 1.9,10), aceitamos também a revelação de que somos todos “chamados” para ministrar perante o SENHOR. 

 

Diante disso, conscientes do que nos convém, como servos de Cristo, cabe-nos agora identificar quando um chamado é mesmo especial, direcionado para o ministério. Que critérios poderíamos usar para legitimar uma dessas vocações? 

 

Bem, o primeiro indício de que uma “vocação especial” está em andamento é se ela, de fato, se manifesta com desejo intenso, continuado, incontido de servir a Deus, antes mesmo de qualquer preparo teológico, seja ele formal ou informal. É no foro particular que essa inquietação tem sua origem. Pode até haver alguma indução ou estímulo externo, mas é com o nosso espírito que o Espírito de Deus fala.

 

O segundo indício de que uma “vocação especial” está em andamento é a percepção de que há dons espirituais nos capacitando para isso, nos impulsionando a esse mister (Ef 4.11). E se, ao nos envolvermos naquilo que nos atrai, houver percepção de que o resultado foi satisfatório está confirmado esse indício.

 

O terceiro indício de uma “vocação especial” em andamento é o reconhecimento desse chamado pela Igreja que o vocacionado frequenta. A convicção tem seu valor, as habilidades têm os seus méritos. Mas não basta nos vermos como “vocacionados” se outros não percebem isso em nós, especialmente a Igreja. Igrejas saudáveis reconhecem, com facilidade, aqueles a quem Deus tem escolhido e os apoiam, com treinamento, envio, sustento, tal como fizeram os irmãos de Antioquia (At 13.1-3).

 

Os “campos brancos” aguardam, com urgência, pela chegada dos vocacionados que ainda estão em nossas Igrejas. O tempo de colheita já começou, e muitos frutos maduros estão “despencando”, fadados à perdição pela falta de ceifeiros. Onde eles estão? Temos orado ao SENHOR da Seara e Ele tem despertado muitos corações, mas onde estão? Estão ainda em sua Igreja de origem, esperando por sustento? Estão perplexos e confusos pela falta de bons conselheiros? Estão sendo enredados por lobos vorazes pela falta de cuidado de seus pastores? Onde estão aqueles que já nos foram dados como resposta às nossas orações?

 

“... como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?...” (Rm 10.13-15)


 

Pr. Agnaldo Faissal

Colaborador da Editora Cristã Evangélica

Comments


bottom of page