A REFORMA PROTESTANTE

A Reforma Protestante é um período da história em que nossas raízes evangélicas foram plantadas e regadas com muito suor, lágrimas, coragem e acima de tudo, um retorno aos princípios da verdadeira igreja e do ensino correto da palavra de Deus. A Reforma foi um movimento de restauração da igreja, por isso se tornou uma janela que nos ajuda a contemplar um horizonte, fazendo uma leitura do passado para entender o presente e buscar respostas para o futuro. É nesse sentido que o reformador Filipe Melanchthon diz: “A vida humana sem conhecimento da história não passa de uma infância perpétua; mais ainda: obscuridade e trevas permanentes”.[1]


A Reforma Protestante não surgiu no vácuo, de uma hora para outra e nem como um evento extraordinário que passa a ser conhecido pela vida de um super-herói dotado de poderes. No final da Idade Média a Europa enfrentou uma crise de grandes proporções, uma crise que “abarcou todas as classes sociais”. Um poeta chamado Eustáquio Deschamps (1346-1406) disse que era uma “época de lágrimas, de inveja, de tormento (...) época de declínio próximo do fim”.[2] Havia um declínio moral, político e religioso muito presente no dia a dia do clero e das pessoas comuns.


Essas crises promoveram muitos movimentos sociais; um deles como os “estados independentes” contribuíram com a REFORMA fazendo com que a unificação político/religiosa em torno da Igreja Católica fosse perdendo força, isso por causa da corrupção da Igreja. Outros fatores religiosos e sociais contribuíram para o surgimento da Reforma: além dos “estados independentes”; o declínio moral da igreja; os pré-reformadores e a exploração comercial do papado.


Mesmo com tantos problemas sociais envolvidos e as ambições seculares do papado, podemos dizer que a REFORMA foi motivada especialmente por questões teológicas e espirituais. Por essas razões, gostaria de compartilhar e refletir algumas questões divergentes que levaram ou motivaram o início da REFORMA e o seu estabelecimento:


1. O sistema de salvação


O conceito de salvação católico era influenciado pelo SINERGISMO de João Cassiano e pelo conceito meritório da JUSTIÇA DE DEUS. João Cassiano (360-435) na obra Conferências disse que há uma fé inicial (initium fidei) na natureza humana que possibilita o homem dar o primeiro passo em direção a Deus. É uma boa disposição do coração para Deus ou “aquilo que ele mesmo implantou ou que percebeu ter nascido de nossos próprios esforços”.[3]


Na questão do sinergismo, embora tenha sido condenado em Orange (529), permaneceu na teologia católica através do sistema de penitências, sacramentos, jejuns, peregrinações, veneração das relíquias e as indulgências. Em 1524, Erasmo de Roterdã escreveu uma obra sobre livre arbítrio, nessa obra ele deseja responsabilizar o homem por todas as suas decisões e fugir do problema do fatalismo, mostrando que negar o livre arbítrio é ruim: “O que pode ser mais inútil do que publicar ao mundo o paradoxo de que tudo o que fazemos é feito, não por livre arbítrio, mas mera necessidade e a visão de Agostinho de que Deus trabalha em nós tanto o bem quanto o mal; que ele recompensa as suas próprias boas obras em nós, e pune o seu próprio mal em nós?”.[4]


Lutero contrapõe o sinergismo com a obra A escravidão da vontade. “O foco é sobre a questão da capacidade moral do homem e o grau da sua dependência à graça de Deus”.

“Uma vontade escravizada não é um nada, pois a vontade permanece com seu poder total”. Em Romanos ele defende a ideia de que a vontade é mantida presa em seus pecados e não pode escolher o bem de acordo com Deus.[5]


“Assim, a vontade é como um animal entre dois cavaleiros. Se Deus o monta, ele quer ir e vai aonde Deus quer (...) Se Satanás o monta, ele quer ir e vai aonde Satanás quer; ele não pode escolher correr para um deles ou seguir a um deles, mas os próprios cavaleiros brigam pela posse e controle dele”. Lutero se baseia em João 8. 34,44.


“Assim, o propósito da graça é libertar-nos para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus”. Não há nada de antemão no homem, nenhuma condição. “A única preparação infalível para a graça é a eleição eterna e a predestinação de Deus”.

Calvino também sente desconforto com o livre arbítrio:


Desse modo, pois, dir-se-á que o homem é dotado de livre arbítrio: não porque tenha livre escolha do bem e do mal, igualmente; ao contrário, porque age mal por vontade, não por efeito de coação. Por certo que isto soa muito bem. Mas, a que servia rotular com título tão pomposo coisa de tão reduzida importância? Excelente liberdade, sem dúvida, seria se com efeito o homem não fosse compelido pelo pecado a servi-lo; se, no entanto, é escravo por querer; escravo por vontade, de sorte que a vontade lhe é mantida amarrada pelas peias do pecado![6]


Para Calvino, Adão tinha liberdade de escolher o bem e o mal, porém tinha uma vontade reta, o que possibilitava à obediência. Adão se perdeu e corrompeu todo o bem que possuía. Após a queda, o homem está mergulhado em morte espiritual e não há mais aquele livre arbítrio (Institutas, I, XV, VII, VIII).


Na questão da justiça de Deus, eles entendiam que Deus estava irado com o pecado e exigia algo, um esforço moral para que cumprindo a justiça o ser humano pudesse alcançar a salvação. Era um esforço para a vida toda, onde a salvação somente se concluía no final. Isso é representado em uma famosa expressão escolástica – “facere quod in se est” (faça o que está ao seu alcance). Carter Lindberg afirma que havia “um sistema de incentivo espiritual baseado na promessa de recompensas e na ameaça de penalidades”.[7]


Catecismo de Kolde (1470) – “Há três coisas que sei serem verdadeiras e que frequentemente me pesam no coração. A primeira aflige meu espírito, porque eu terei de morrer. A segunda aflige mais meu coração, porque não sei quando. A terceira me aflige mais que tudo: não sei para onde irei” (Lindberg, p. 82 apud Janz, 1982, p. 182).


Esse conceito de Deus e da salvação atormentava as pessoas e as deixava com medo e desespero. Lutero teve uma experiência assim, quando atravessando o jardim de Stotteinheim foi surpreendido por um raio. Com medo da morte fez um voto a Santa Ana: “Eu me tornarei um monge”. Em 1505 ingressou no Mosteiro dos monges eremitas agostinianos. Aqui a teologia católica se mostrou mais abertamente. No período da meditação, ele buscava a aceitação de Deus: “Será que realmente dei o melhor de mim em favor de Deus? Será que realizei plenamente o potencial que me foi dado por Deus?”[8]


João Calvino também demonstra essa teologia dizendo: “Há certos homens perversamente sutis, os quais, embora confessem que alcançamos a salvação por meio de Cristo, entretanto não suportam ouvir a palavra MÉRITO, a qual pensam obscurecer a graça de Deus. E por isso querem que Cristo seja apenas o instrumento ou ministro não o autor da vida, ou Chefe e Príncipe, como é chamado por Pedro (At 3.15)”.[9]


A inquietude de Lutero, fez seu superior João von Staupitz forçá-lo a estudar mais e lecionar como “doutor juramentado da Escritura Sagrada” em Wittenberg. Aqui Lutero pregou sobre os Salmos (1513-15); Romanos (1515-16); Gálatas (1516-1517) e Hebreus (1517). Os estudos exegéticos e as pregações lhe abriram os olhos para entender que a “justiça de Deus não é uma exigência a ser cumprida por meio de realizações, mas sim um dom a ser aceito por fé”.[10]


Os abusos da igreja representados pelas pregações de João Tetzel instigaram Lutero a escrever sermões contra a doutrina da penitência e das indulgencias entre 1514 e 1516, e finalmente propor um debate acadêmico através das 95 teses. As ideias de Lutero e as discussões aumentaram e chegaram ao Papa Leão X. O Papa submeteu a questão à ordem agostiniana, então Lutero foi convocado para um debate, realizado em abril de 1518 em Heidelberg. Ali apresentou suas teses, quarenta delas no total, que clamavam por um claro e consistente foco na cruz de Cristo como o único meio de salvação. Muitos monges mostraram-se favoráveis e alguns aderiram as novas ideias, principalmente a pregação de 1Coríntios 1.25.


Lutero explica que em sua leitura de Romanos 1.17, com a alma inquieta e furioso com Deus, ele começou a entender que:


... a justiça de Deus significava aquela justiça pela qual o homem justo vive mediante o dom de Deus, isto é, pela fé. É isso o que significa: a justiça de Deus é revelada pelo evangelho, uma justiça passiva com a qual o Deus misericordioso nos justifica pela fé, como está escrito: “aquele que pela fé é justo, viverá”. Aqui, senti que estava nascendo completamente de novo e havia entrado no próprio paraíso através de portões abertos.

Deus aceita a justiça de Cristo, que é diferente de nossa própria, por ser nossa. Ele descreveu isso em uma carta, dizendo:


Portanto meu querido irmão, aprenda Cristo e o aprenda crucificado; aprenda a orar a ele, perdendo toda a esperança em si mesmo, e diga: Tu, Senhor Jesus, és a minha justiça, e eu sou o teu pecado; tomaste em ti mesmo o que não eras e deste-me o que não sou.[11]


Lutero foi convocado para comparecer em Roma no prazo de 60 dias, a partir de 7 de agosto de 1518. Nesse ínterim, Lutero já foi considerado herege e denunciado, porém as preocupações com a Basílica de São Pedro e as eleições imperiais acabaram atrasando o processo. Em 28 de junho de 1519, Carlos V foi eleito.


Esse conceito também é defendido por João Calvino:


Portanto, quando se trata do mérito de Cristo, não se estabelece que nele próprio resida o princípio desse mérito; ao contrário, remontamos à ordenança de Deus, que é a causa primeira, porquanto de seu puro beneplácito Deus o estabeleceu por Mediador, para que nos adquirisse a salvação”. “Ora, se alcançamos a justiça pela fé, a qual nele repousa, nele se deve buscar a matéria de nossa salvação, o que se prova claramente em muitas passagens da Escritura. “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação por nossos pecados (1Jo 4.10).[12]

2. A autoridade das Escrituras


O catolicismo tinha e ainda tem um conceito muito elevado de tradição. “A “Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina ‘Dei Verbum’”, aprovada, decretada, estabelecida e promulgada aos 18 de novembro de 1965 pelo falecido papa Paulo VI assim diz: “O múnus de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita ou contida na Tradição, foi confiado só ao magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo. Este magistério não está acima da palavra de Deus, mas está a seu serviço, não ensinando senão o que foi transmitido, enquanto, por mandado divino e com assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, guarda santamente e expõe fielmente, haurindo deste único depósito da fé todas as coisas que propõe à fé como divinamente reveladas”.


E o novo Catecismo da Igreja Católica, em sua primeira parte, no Capítulo II, Artigo 2, II, quando fala da “Relação entre a Tradição e a Sagrada Escritura”, na pág. 34, diz: “Elas estão entre si estreitamente unidas e comunicantes. Pois promanando ambas da mesma fonte divina, formam de certo modo um só todo e tendem para o mesmo fim”. Mais adiante diz que, “a Igreja (Católica), à qual estão confiadas a transmissão e a interpretação da Revelação, ‘não deriva a sua certeza a respeito de tudo o que foi revelado somente da Sagrada Escritura. Por isso, ambas (Escritura e Tradição) devem ser aceitas e veneradas com igual sentimento de piedade e reverência”. E na ‘Dei Verbum’ o posicionamento é mais explícito: “a Igreja (Católica) não tira a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas só da Sagrada Escritura. Por isso, ambas (Escritura e Tradição) devem ser recebidas e veneradas com igual afeto e piedade”. Dando a sua conclusão neste capítulo, o Catecismo, afirma: “Fica, portanto, claro que segundo o sapientíssimo plano divino, a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja (Católica) estão de tal modo entrelaçado e unidos, que um não tem consistência sem os outros, e que juntos, cada qual a seu modo, sob a ação do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas”.[13]


O Reformador Ulrich Zuínglio, também conhecido como o pai da teologia reformada, foi um dos primeiros a questionar a autoridade da tradição em detrimento da autoridade da Bíblia e a prática de colocar a tradição acima da Bíblia. Ele diz:


“Quando mais jovem, dediquei-me demais ao ensinamento humano, como outros de minha época, e, quando há sete ou oito anos passei a devotar-me inteiramente às Escrituras, era sempre impedido de fazê-lo pela filosofia e pela teologia. Finalmente, porém, cheguei ao ponto em que, guiado pela palavra e pelo Espírito de Deus, vi a necessidade de colocar de lado todas essas coisas e aprender a doutrina de Deus diretamente de sua própria Palavra. Então comecei a pedir luz a Deus, e as Escrituras tornaram-se muito mais claras para mim”.[14]

A autoridade da Escritura está na própria Escritura. O Espírito Santo ilumina o texto da Bíblia de maneira tal que sabemos e confessamos ser ela a Palavra de Deus. Por essa razão, “a Palavra de Deus pode ser entendida por um homem sem nenhum guia humano”.[15]


Em 1º de janeiro de 1519, Zuínglio pregou e celebrou missa na Catedral de Zurique. Rejeitou o calendário eclesiástico e iniciou uma série de exposição em Mateus, depois em quase todos os livros do NT. Deu um nome para isso de “Instrução Bíblica” (1Cor 14) ou “profecias”. Depois em 1536, Calvino e Farel nomearam como “congregações”. Para Zuínglio a pregação era central e a autoridade máxima era a Bíblia, pois “toda a vida, pessoal e comunitária, deve ser normatizada pela bíblia”.[16]


Esse novo conceito da Reforma é declarado na primeira Confissão geral da Reforma, a Confissão Belga:[17]


Artigo 7 – A Sagrada Escritura: Perfeita e Completa. Cremos que esta Sagrada Escritura contém perfeitamente a vontade de Deus e suficientemente ensina tudo o que o homem deve crer para ser salvo. Nela, Deus descreveu, por extenso, toda a maneira de servi-lo. Por isso, não e lícito aos homens, mesmo que fossem apóstolos "ou um anjo vindo do céu", conforme diz o apóstolo Paulo (Gálatas 1:8), ensinarem outra doutrina, senão aquela da Sagrada Escritura. É proibido "acrescentar algo a Palavra de Deus ou tirar algo dela" (Deuteronômio 12:32; Apocalipse 22:18,19). Assim se mostra claramente que sua doutrina é perfeitíssima e, em todos os sentidos, completa.


Não se pode igualar escritos de homens, por mais santos que fossem os autores, às Escrituras divinas. Nem se pode igualar à verdade de Deus costumes, opiniões da maioria, instituições antigas, sucessão de tempos ou de pessoas, ou concílios, decretos ou resoluções. Pois a verdade está acima de tudo e todos os homens são mentirosos (Salmo 116:11) e "mais leves que a vaidade" (Salmo 62:9).


Por isso, rejeitamos, de todo o coração, tudo que não está de acordo com esta regra infalível, conforme os apóstolos nos ensinaram: "Provai os espíritos se procedem de Deus" (l João 4:1), e: "Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa" (2 João :10).


Outro texto importante está nas “DEZ CONCLUSÕES DE BERNA” (1528): “A igreja de Cristo não faz leis ou mandamentos à parte da Palavra de Deus; portanto, não estamos sujeitos às tradições humanas, exceto na medida em que fundamentam-se ou encontram-se prescritas na Palavra de Deus”.[18]


3. A simplicidade do culto


Calvino escreve uma carta em resposta ao Cardeal Tiago Sadoleto, publicada em 1539 em latim e traduzida em 1540 para o francês. Nessa carta ele diz: “Há três coisas sobre as quais a segurança da igreja repousa: doutrina, disciplina e os sacramentos. A estas uma quarta é acrescentada: cerimônias mediante as quais se exercita o povo em celebrações de devoção” (...) Vocês na verdade têm mais cerimônias do que o necessário, mas em sua maior parte tão infantis quanto ao significado, e viciadas por inúmeras superstições, a ponto de serem inapropriadas para a edificação da igreja” (...) “Em grande medida abolimos as cerimônias, e fomos compelidos a agir assim, em parte devido ao fato de serem tantas que degeneraram numa espécie de judaísmo, em parte porque causaram às mentes do povo uma lavagem cerebral com superstições...”[19]


“É que, quanto ao ofício de alimentar o povo, as próprias crianças percebem que bispos e presbíteros são estátuas mudas, enquanto pessoas de todos os níveis sabem por experiência que estão ativos apenas roubando e devorando. Estamos indignados porque a Santa Ceia foi substituída por um sacrifício, mediante o qual a morte de Cristo é esvaziada de sua virtude. Clamamos contra o tráfico execrável das missas e denunciamos que metade da Ceia do Senhor foi roubada do povo cristão. Combatemos o escandaloso culto das imagens. Mostramos que os sacramentos estão viciados por muitas ideias profanas”.[20]


Segundo o famoso historiador Will Durant, a Missa Católica foi “baseada em parte no culto do Templo Judaico, e em parte nos místicos rituais de purificação dos gregos, o sacrifício substituto, e a participação...”[21]


O padrão estabelecido pela Reforma é o da Palavra de Deus: “Também não tenho nenhuma dificuldade em conceder-lhe que, nada há mais perigoso para a nossa salvação, do que um distorcido e perverso culto a Deus. Os rudimentos primordiais mediante os quais devemos exercitar em piedade aqueles a quem queremos ganhar para discípulos de Cristo são os seguintes: não esboçar a esmo e para o seu próprio prazer, nenhum novo culto a Deus, mas reconhecer que o único legítimo culto é aquele que ele mesmo aprovou desde o início. Mantemos, pois, o que o oráculo sagrado anunciou: obediência é mais excelente do que qualquer sacrifício (1Sm 15.22). Em uma palavra, exercitamos esses candidatos a discípulos, por todos os meios, a manter-se dentro da única norma de culto que receberam de Sua boca e despachamos todas as adorações fictícias”.[22]


O princípio para o culto cristão é a Bíblia e não a tradição ou elementos que nutrem a satisfação e alegria dos homens. Daí o culto protestante passa a ser simples, apenas com os elementos ordenados na Palavra.


Martin Bucer foi o mais importante Reformador na questão do culto, elaborou uma liturgia bíblica em 1537 que influenciou os outros, principalmente Calvino, contendo os seguintes elementos: Confissão de pecados; Leitura da Palavra; Cântico de salmo ou hino; Orações; Sermão; Coletas de ofertas; Cântico do credo; Intercessão pelos magistrados; Santa Ceia; Benção final e despedida.


Descrição de Bucer:

Quando a congregação se reúne no Domingo, o ministro exorta o povo a confessar seus pecados e a orar por perdão; e por toda a congregação, ele faz confissão a Deus, ora por perdão e profere a absolvição dos crentes. Logo depois, a congregação inteira canta alguns salmos curtos ou hinos. O ministro faz uma pequena oração, lê para a congregação uma passagem dos escritos dos apóstolos e, da maneira mais breve possível, explica a passagem. Depois a congregação canta de novo, desta vez os Dez Mandamentos, ou outra coisa. Depois disto, o ministro lê o Evangelho e prega o sermão. Quando o sermão termina, a congregação canta o Credo Apostólico; depois o ministro faz uma oração pelos magistrados, por todos os homens e, especialmente, pela congregação ali presente, suplicando por um aumento de fé, amor e graça, para que a memória da morte Cristo seja reverenciada. Então ele admoesta aqueles que desejam participar da Ceia do Senhor com ele, que o façam em memória de Cristo, que morram para seus pecados, carreguem a cruz voluntariamente e que sejam fortalecidos na fé... Depois da exortação, ele lê o que o Evangelho diz sobre a Ceia do Senhor, conforme foi descrito pelos três evangelistas e também por Paulo em I Coríntios 11. Então distribui o pão e o cálice do Senhor entre eles... A congregação canta novamente um hino de louvor e então o ministro encerra a Ceia com uma pequena oração, abençoa o povo e os despede na paz do Senhor.

Nesse artigo foi abordado três motivos que levaram pessoas piedosas a lutarem, e o resultado foi a tão conhecida e importante Reforma Protestante. Essas pessoas não queriam uma nova igreja, mas havia um desejo profundo de ver a igreja a qual elas pertenciam se curvar somente para as Escrituras, ensinar em seus púlpitos puramente a Palavra da verdade e fazer a vontade de Deus Pai. Glória a Deus por esses irmãos que não desistiram de lutar e de honrar o nome do Senhor.


Pr Glauco Pereira

Diretor Executivo da Missão Cristã Evangélica




[1]Lindberg, Carter. As reformas na europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001, p. 7. [2] Ibid., p. 38. [3] Matos, Alderi Souza de. Fundamentos da teologia histórica. São Paulo: Mundo Cristão, 2008, p. 95. [4]Sproul, R.C. Sola gratia. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 98. [5] George, Timothy. Teologia dos reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1993, p. 77. [6] Calvino, João. As institutas. 2.ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. Vol.2, cap. II, p. 34. [7]Lindberg, p. 82. [8] Ibid., p. 84. [9] Calvino, João. As institutas. 2.ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. Vol.2, cap. XVII, p. 279. [10] Lindberg, p. 86. [11]George, Timothy. Teologia dos reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1993, p. 71. [12] Calvino, p. 280. [13]Textos extraídos da pesquisa realizada pelo CACP, disponível em: http://www.cacp.org.br/tradicao-catolica - 25/02/2017. [14] George, p. 126. [15]Ibid., p. 128. [16] Lindberg, p. 210. [17] É chamado normalmente de Confissão Belga, pois é originário da região sul dos Países Baixos, conhecida hoje como Bélgica. O seu principal autor, Guido de Brès, um prega- dor das Igrejas Reformadas dos Países Baixos, foi martirizado por causa da Fé no ano de 1567. Durante o Século XVI as igrejas desse país estavam sujeitas às mais terríveis perseguições por parte do governo católico-romano. De Brès preparou essa confissão no ano de 1561 para protestar contra essa cruel opressão e provar aos seus perseguidores que os adeptos da Fé Reformada não eram rebeldes, como haviam sido acusados, mas cidadãos dentro da lei que professavam a autêntica doutrina cristã, segundo as Sagradas Escrituras. [18]George, p. 313. [19] In: Faria, Eduardo Galasso. João Calvino: textos escolhidos. São Paulo: Ed. Do Autor, 2008, p. 107, 108. [20] Ibid., p. 118. [21] In: http://www.igrejadedeusemsaopaulo.org.br/cristianismopagao1.htm [22] Ibid., p. 104.