A transmissão fiel do ensino cristão


“Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.
Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus.
Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou.
Igualmente, o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas. O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos.” 2 Tm 2.1-6.

De uma forma muito especial todos nós temos o privilégio de participar do trabalho de Deus, da expansão de seu Reino, do crescimento de sua igreja aqui na terra. A força para este trabalho não vem de nós, como não vinha de Timóteo (v.1). Ele faria o trabalho fortalecido pela graça, poder e recurso de Deus nele.


Da parte de Deus nos vem os recursos espirituais, mas há um esforço humano a ser oferecido ao Senhor. Paulo entende que a transmissão das verdades de Deus precisa ser feita com muito zelo e critério.


O que ensina precisa ser zeloso como um mestre. Lembremo-nos de que Paulo está preso e muito preocupado com o progresso do Evangelho e Timóteo deveria continuar a ministrar a outros. Desta forma seria muito importante que os que seriam discipulados fossem também fiéis e idôneos. A evangelização é para todos, o discipulado para muitos, mas o treinamento para o serviço do Senhor, somente para alguns. Cabe a nós hoje o mesmo mandamento. Evangelizemos a todos que pudermos, discipulemos o máximo, mas observemos com cuidado dobrado aqueles aos quais destacaremos para continuar o trabalho do Senhor. Os que darão continuidade ao trabalho do Senhor precisam não só de competência (idoneidade), mas também de caráter (fidelidade). Uma pessoa com apenas uma destas características, não seria adequada para o trabalho.


Paulo compara este trabalho de treinar a três categorias de homens: soldado, lavrador e atleta. São figuras fortes, de singularidade, que apontam para a seriedade da obra.


Pensando no serviço de Deus como uma tarefa militar, Paulo nos remete para a figura de um soldado romano. Ele era comprometido, destemido, focado, envolvido. Os romanos tinham as tropas mais vitoriosas de todos os tempos. Paulo diz que nós devemos agir como um soldado. Paulo fala da necessidade da armadura de Deus para isso (Ef. 6.10-20). O que significaria para nós hoje esta consciência de soldado? Bons soldados se entregam à missão a eles destinados e são obstinados pela vitória, em caso de guerra. Como é bom quando os que ajudam na obra do Senhor têm uma espiritualidade contagiante, que buscam o melhor para a igreja, que cooperam para o seu triunfo, que creem no poder de Deus para a sua igreja (Rm 8.37).


Paulo agora muda de figura, vai de um soldado a um atleta. O atleta precisa de obediência às regras. Paulo conhecia os jogos gregos e sabia da necessidade de seguir as regras. Até hoje esta questão é muito importante, quebrou uma regra está fora da competição. Seguir as regras é seguir a própria Bíblia, é a obediência às leis morais de Deus, é não abolir em nossos corações e mentes o que Deus exige de nós em termos de obediência à sua Palavra.

Finalmente Paulo compara o trabalho de transmitir o ensino cristão à tarefa de um prudente e paciente lavrador. Não é fácil o trabalho de um evangelista, um missionário, um pastor, de um líder de ministério, um professor de Escola Dominical. O que os motiva a tanta diligência é a expectativa da colheita. Deus nos manda produzir frutos e frutos que continuem durante toda a eternidade (Jo 15.16).


O trabalho é de Deus, mas podemos nos tornar participantes. Somos fracos tais como Timóteo, mas como ele, somos fortalecidos pelo Senhor. Pela graça eu posso ser um bom soldado, um bom atleta e um bom lavrador.


Que busquemos sempre ser instruídos, mas que no devido tempo sejamos também instrutores. Deus, há muitas pessoas perto de nós, idôneas e fiéis, que estão prontos para receber a instrução e para repassá-la também com fidelidade e idoneidade.


 

Pr Luiz César

Presidente da ICEB

@pr.luizcesar