CREMOS EM DEUS FILHO

Cremos em Deus Filho, Jesus Cristo, o unigênito do Pai, concebido da Virgem Maria por Obra e graça do Espírito Santo, que viveu sem pecado, morreu para expiação de nossas culpas, ressuscitou para nossa justificação, ascendeu à destra do Pai para nossa mediação, de onde voltará para julgar os vivos e os mortos. Sl 2.1-8; Is 7.14; Mt 1.18-21; Jo 1.1-3; 8.56-58; 10.30; Rm 4.24,25; 1 Tm 2.5,6; Hb 4.14-16; 1 Pe 4.5; 1 Jo 4.8,9 (Confissão de fé da ICEB, Artigo 3º).


A doutrina sobre Jesus, o filho de Deus é uma das mais importantes das Escrituras e a nossa Confissão de Fé faz menção ao que é mais relevante sobre Ele. Vejamos os pontos destacados sobre o Filho:


1- O Filho foi contemplado já no Antigo Testamento – Usando os textos do Salmos 2.1-8, onde a pessoa do Filho é citada de forma explícita (v.12), a nossa Confissão entende a pré-existência de Jesus antes de sua encarnação. Ele sempre existiu. Esta pré-existência está também em João 8.56-58, Nele Jesus defende sua autoridade divina por sempre existir. Ele sempre foi. Diz o verso 58: Antes de Abrão existir, EU SOU. A sua vinda física também foi prevista, conforme Isaías 7.14: Portanto, o senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá à luz um filho e lhe chamará Emanuel. Estes são apenas uma parte de dezenas de textos que apontam para a preexistência de Jesus e a promessa de sua encarnação. Vejamos a colaboração de Richard Sturz quanto à pessoa de Jesus em toda a revelação bíblica: O Senhor Jesus encarnado é a chave para a compreensão de todo o processo decorrido de Gênesis a Apocalipse (Teologia Sistemática- Vida Nova, p. 131).


2- O Filho é Unigênito – Esta parte de nossa Confissão, baseada em João 1.14, indica que Jesus é o único gerado do Pai. Ele é da mesma essência que o Pai. Ele sempre foi da mesma natureza e teve os mesmos atributos que o Pai. Ele não é igual ao restante do mundo. Ele é gerado, isto é, é da mesma natureza que seu Pai. Esta parte de nossa Confissão aponta para qualquer intenção de entender o Filho de Deus como parte da criação. Ele é um com o Pai. O texto de João 10.30, tão bem citado em nossa Confissão diz: Eu e o Pai somos um. Ao citar que Jesus é o unigênito o autor bíblico não tem a intenção de tratar da questão temporal da existência do Filho, o que não teria sentido algum, mas expor a comunhão eterna entre Ele e o Pai.


3- O Filho nasceu de uma virgem – Jesus veio à existência neste mundo de forma sobrenatural, isto é, sem a participação de José, noivo de Maria, em sua concepção. A salvação vem do Senhor, usando a semente da mulher (Gn 3.15). Como bem descreveu Grudem, o nascimento virginal de Cristo é um lembrete inequívoco de que a salvação jamais por vir por meio do esforço humano, mas deve ser obra do próprio Deus. E continua: Este nascimento virginal possibilitou a união da plena divindade e da plena humanidade em uma só pessoa, além de tornar possível a verdadeira humanidade de Cristo sem a herança do pecado (Teologia sistemática – Grudem, Vida Nova, p. 436). O texto de Isaías 7.14, já citado acima, apontava para este milagre. Este se cumpriu, conforme Mt 1.18-21. Ele nasceu de Maria, antes que de sua coabitação com José. Não foi o Deus trino, mas somente a segunda pessoa da Trindade, o Senhor Jesus, que assumiu a natureza humana. É sabido também que Maria não permaneceu virgem após o nascimento de Jesus, visto que teve outros filhos em sua união com José (Mt. 1.25).


4- O Filho viveu sem pecado – A nossa Confissão de Fé descreve o Filho de Deus como uma pessoa que nunca pecou. O texto de Hebreus 4.14-16 nos ajuda nesta compreensão. O verso 15 diz literalmente: Porque não temos sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Ainda que reconhecido em natureza humana, o Filho jamais pecou à semelhança do homem. Em 2 Coríntios 5.21 lemos: Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. Jesus esvaziou-se de sua natureza divina e assumiu a humana, no entanto, mesmo nesta natureza, sujeita ao pecado, Ele jamais pecou. É importante salientar neste ponto que Jesus não abdicou de sua natureza divina; Ele absorveu a humana sem, contudo, deixar de ser Deus o tempo todo.


5- O Filho morreu para expiar nossas culpas – Jesus foi entregue à morte por causa da nossa justificação (Rm 4.24). Ele voluntariamente se entregou como oferta para o nosso resgate. Desta forma Ele se tornou o único mediador entre Deus e o homem (1 Tm 2.5 e 6). O texto de Filipenses 2.6 e 7, salienta este ponto: Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens. De fato, Jesus durante todo o tempo de sua vida, mas especialmente no final dela, suportou a ira de Deus em favor da raça humana. Ele se entregou como um cordeiro por expiação do pecado dos homens (Jo 1.29). Trata-se de uma obediência ativa do Salvador. Ele não só nos perdoou os pecados, morrendo na cruz, mas nos fez aceitáveis diante do Pai. Em seu sacrifício Jesus sofreu a ira de Deus até o fim, consumando assim a sua obra vicária e nos justificando completamente diante de Deus. Quem exigiu que Cristo pagasse a pena pelos nossos pecados? Deus Pai o exigiu. Foi a justiça de Deus que exigiu que o preço da transgressão de Adão, representando a todo homem, fosse paga (2 Co 5.21).


6- O Filho ressuscitou para nossa justificação – A Confissão de Fé da ICEB descreve o caráter judicial da morte de Cristo, especialmente no texto de Romanos 4.25 que afirma categoricamente que a ressurreição de Jesus cumpre o seu papel vicário de nos garantir a justificação, completando assim a sua obra redentora. A morte de Cristo teve um efeito penal. Ele nos substituiu na pena que deveríamos pagar a Deus Pai. Jesus morreu pela nossa transgressão e ressuscitou para que a nossa justificação fosse garantida junto ao Pai. Passando pela morte sacrifical como passou, o Senhor Jesus satisfez completamente as exigências da Lei. Ele provou a maldição da Lei fazendo-se maldição em nosso lugar (Dt 21.23; Gl 3.13). Agora, justificados pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 5,1).


7- O Filho está assentado ao lado de Deus e intercede por nós. Jesus ressuscitou. Após isso Ele passou quarenta dias aqui na terra antes de subir ao céu (At 1.3; Lc 24.50). Depois, assentou-se ao lado do Pai (At 7.55 e 56). Segundo Paulo, Deus o exaltou grandemente após isso (Fl 2.9). Conforme Grudem, Cristo está agora no céu, e coros angelicais cantam-lhe louvor com as palavras: “Digno é o cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria e força, e honra, e glória e louvor” (Ap 5.12). (Teologia Sistemática, Grudem, p. 517). Hoje Ele tem o ministério de interceder, como mediador, a nosso favor. Ele é o nosso grande sumo sacerdote junto ao Pai, e nos representa junto a Ele e se compadece de nossas fraquezas. A Jesus podemos nos achegar com confiança. Através dele somos alvos de misericórdia, graça e socorro (Hb 4.14-16).


8- O Filho voltará para julgar os vivos e mortos - Finalmente a Confissão de Fé, baseada em 1 Pedro 4.5, afirma que Jesus um dia voltará e julgará a todos, os vivos e os mortos. Ele prometera voltar quando estava com os discípulos: Na casa de meu Pai há muitas moradas. /se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também (Jo 14.2,3). A nossa Confissão também faz menção ao julgamento que precederá a volta de Jesus. Várias passagens bíblicas apontam para o julgamento final (At 17.30-31; Rm 2.5; Mt 25.31-46; Ap 20.11-15). Neste julgamento Jesus cumprirá a sua promessa de punir os ímpios e galardoar os salvos. Mesmo os crentes serão julgados (Rm 14.10,12), no entanto, serão absolvidos da condenação eterna (Rm 8.1), mas receberão os galardões segundo as suas obras (2 Co 5.10).


É desta forma, simples e objetiva que a Confissão de Fé da ICEB descreve a segunda pessoa da Trindade, o Filho, o Senhor Jesus. Vejam que ela é perspicaz em descrevê-lo desde a sua preexistência até a consumação, por parte dele, de todas as coisas. Que seja um anelo para cada um de nós conhecer mais ao Senhor Jesus e servi-lo com todo zelo e fervor. Ele é digno.


Pr. Luiz César N. Araújo

Presidente da ICEB