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Entrevista - Missão: plantar igrejas

Trazemos para vocês uma entrevista com um dos grandes plantadores de Igrejas da ICEB, o Pr. Acácio.

Pr. Acácio, primeiramente, conte-nos um pouco sobre o senhor e sua família.

Olá! Nasci na cidade de Passagem Franca - MA, em abril de 1967. Aos 15 anos fui para Brasília - DF, e ali me tornei membro na ICE Ceilândia - DF, onde me batizei com o Pr. Roberto Casemiro Dias. Em 1989 ingressei no SETECEB, sob o envio da mesma Igreja e pastoreio do Laureni Costa Ribeiro.

Sou casado com Roseli da Silva Reis Alencar; Educadora Cristã, formada no SETECEB, onde nos conhecemos. Temos dois filhos, Gabriela (22) e Jabes (18). Ambos servem ao Senhor e vivem conosco, contribuindo com o nosso ministério pastoral, na plantação da ICE em Pindamonhangaba -SP.


Sobre o fato do irmão ser um dos plantadores de igrejas na ICEB. Como nasceu este desejo ou chamado para plantar igrejas?

Atribuo a minha vocação e chamado ministerial ao meu Senhor e Salvador Jesus Cristo, que segundo a Graça de Deus o Pai, pela obra do Espírito Santo deu a mim, quando ainda era criança, o entendimento da Salvação e o selo da esperança da vida eterna.

Antes de chegar ao SETECEB, sempre fui comprometido com a evangelização e discipulado, tive bons influenciadores ao longo da minha vida, desde meu tio avô, Francisco Alencar, meu avô Damião Alencar, que fora evangelizado pelo irmão, e, que evangelizou meu pai Raimundo Soares Pessoa, e este, a nossa família. O pioneirismo está no sangue da família, desde criança convivi com pessoas comprometidas com a expansão do Evangelho e envolvido com ações missionais.

Portanto, passando também pelas boas influências nas Igrejas onde frequentei e aos pastores que deram crédito ao meu chamado antes mesmo da minha formação pastoral, todo esse conjunto atribuo ao meu chamado.

Vi muitas igrejas nascerem e tive o privilégio de contribuir com elas, antes e durante os quatro anos de SETECEB. Meus estágios como seminarista (1989 – 1992), com rara exceção, foram em campos de plantação ou revitalização.

O meu chamado para plantar igreja é consequência desse conjunto de obras do Senhor em minha vida, não foi algo sonhado, planejado ou mesmo desejado. Trata-se de uma questão de percepção da direção e vontade de Deus o Pai, somado a uma disposição temente de obedecer com honra ao meu Eterno e bom Senhor.


Quais eram os primeiros passos do irmão na plantação de uma igreja?

Normalmente os passos eram pesquisa religiosa, definição de local, primeiros contatos com os moradores locais com visitas de casa em casa, e depois uma atuação forte, desenvolvendo Escolas Bíblicas de Férias, trabalhos com crianças e adolescentes, evangelismo, discipulado, pregação e ensino bíblico, aquisição de terreno e construção da igreja.


Quais as igrejas que o irmão plantou?

No dia 06 de janeiro de 1993, eu e minha esposa Roseli iniciamos nossa jornada ministerial na cidade de Tupã – SP. Na ocasião, aquela congregação da ICE Paulistana - SP estava bem fraquinha, apesar dos seus dez anos de existência. Os pastores José Vicente da Silva (in memoria) e seu filho, Pr. Daniel Silva, nos deram crédito e integral apoio nos quatro primeiros anos, quando aquela igreja foi emancipada. Ali tivemos nossa filha Gabriela no ano de 1997.

No final de 1998, nos mudamos para a cidade de Guaratinguetá e, em 1º de maio de 1999, fizemos o culto inaugural da ICE em Guaratinguetá, SP, na garagem da casa alugada para nossa residência e início da plantação daquela igreja. Deixamos a ICE Guaratinguetá após seis anos. Foi ainda em Guaratinguetá, que o nosso segundo filho, Jabes, chegou a nossa casa, já com dois anos de idade.

Atendendo a um novo chamado do Senhor e com a ICE em Guaratinguetá em estágio avançado, uma boa estrutura funcional e sucedido pelo Pr. Eliézer Santos Cavalcante (in memoria), nos mudamos.

Dia 05 de Janeiro de 2005, chegamos a Taubaté – SP, e iniciamos a plantação da Igreja. Com a graça de Deus e um forte apoio da ICE Bosque dos Eucaliptos, como Igreja mãe, a ICE Taubaté se desenvolveu e após seis anos de intenso trabalho a Igreja se emancipou, tendo um excelente patrimônio construído. Permanecemos pastoreando a ICE Taubaté, até o final do ano de 2017. E mais uma vez, entendendo e atendendo a um novo chamado, entregamos o pastorado da ICE Taubaté aos cuidados do Pr. Carlos Eduardo Mello Barbosa.

Em dia 31 de janeiro de 2018 reiniciamos nossas atividades, dando tempo integral, com o Projeto de Plantação da ICE Pindamonhangaba. Na ocasião, ainda usávamos as dependências das residências dos irmãos Luciano, Marta, Jaqueline, Rosemary (in memoria) e Jairo. Os cultos, que eram realizados às quartas e domingos, se alternavam nessas residências. Em 28 de março do mesmo ano passamos a usar uma chácara alugada. No dia 14 do mês seguinte foi realizado o culto inaugural da “replantação” da ICE Pindamonhangaba, com a presença da Igreja Central de São José dos Campos (Igreja Mãe) e demais Igrejas da MEAR –VP. O grupo base era formado por alguns irmãos remanescentes das investidas anteriores (Jan/2010 a Mai/ 2016) que, somado à família pastoral e mais um casal de irmãos cedido pela ICE de Taubaté, compôs um grupo de 19 crentes. Ainda hoje (2019) residimos na cidade de Taubaté e nos reunimos como Igreja em Pindamonhangaba.


Como foi a reação ou o envolvimento de sua família no seu ministério de plantador de igrejas? (Essa pergunta se deve ao fato de a família às vezes sofrer por mudar de cidade e deixar os amigos, a esposa normalmente ajuda muito no trabalho da igreja etc.)

Comtemplando o passado, noto sempre a bondade generosa do Senhor comigo e a minha família. Sempre que nos mudamos de uma cidade para outra o desgaste é natural e não muito confortável, pelo menos, num primeiro momento. Porém o Senhor cuidou e cuida de tudo. E com o passar do tempo as coisas vão se acomodando e para melhor, em razão do que e como se planta. A minha maior preocupação, e ao mesmo tempo o motivo de descanso, é saber se estou em harmonia com a vontade do Senhor. Minha esposa e filhos sempre foram parceiros. Eles compreendem a natureza desse tipo de ministério e por mais que haja algumas ausências corriqueiras como: amizades, rotinas e hábitos estabelecidos, as mudanças aconteceram em momentos de suas vidas que contribuíram para a própria formação do caráter de cada um. Atualmente, em razão de estarmos entre dois municípios, residindo em Taubaté e com a igreja em Pindamonhangaba, tendo que fazer deslocamento com frequência pela movimentada rodovia Dutra, a tensão aumenta e o cansaço chega mais ligeiro. Mas, como sempre, cremos que isso será momentâneo, porque o Senhor peleja por nós. Quando se faz o que é puro, santo e reto, não há consequência danosa. Plantar a Igreja do Senhor, com as qualidades que só ela tem (Ef 5. 25b-27) é a tarefa mais nobre que alguém possa almejar do lado de cá da vida (1Tm 3.1).


Conte-nos um fato interessante e/ou uma história curiosa vividos pelo irmão por ocasião da abertura de alguma dessas igrejas.

A aquisição do terreno da ICE em Taubaté, foi um fato inusitado e me trouxe grande alegria e surpresas maravilhosas. Era o final do ano 2006, final do segundo ano da igreja, nos reuníamos num salão alugado, muito, mas muito simples mesmo. Nas andanças vi o anúncio de venda do terreno, uma área de 1.136 Mt2. Entrei em contato com o intermediário do proprietário e iniciamos as negociações de valor e forma de pagamento. Na ocasião tínhamos 15 mil reais de reserva. O valor dos imóveis ainda não havia explodido. Acordamos em 25 mil reais o valor do terreno, sendo uma entrada de 15 mil reais e cinco parcelas de 2 mil. Juntamos os documentos, redigimos o contrato de compra e venda em nome da Igreja e enviamos a cópia por e-mail ao proprietário, Renó Serpa. Éramos até então dois desconhecidos, porém, quando ele leu o nome da Igreja Cristã Evangélica em Taubaté imediatamente me ligou, se identificando como membro da ICE central de São José dos Campos, querendo saber se era a mesma Igreja. Não me contive em alegria e louvor ao Senhor. Enfim, fechamos o negócio, com outra proposta muito melhor, que nos possibilitou iniciar as obras de construção e honrar com o pagamento do contrato. Obras do Senhor, glórias a Ele!


Quais os maiores desafios de um plantador de igrejas?

O sucesso de um plantador, ou qualquer outro ministério, se resume à perseverança no padrão dos que foram e são fiéis, partindo do pressuposto de que o Deus soberano provê cada uma das necessidades dos Seus eleitos; e isso Ele o faz com fidelidade e abundância e mais. A desordem, o caos, o fracasso, são frutos das rupturas causadas pela infidelidade humana aos pactos estabelecidos por Deus. Então, resta ao eleito fazer todo esforço para se manter “fiel até a morte” em todo tempo, quer seja nos “sete anos de fome” ou nos “sete anos de fartura”. Existe uma flecha maligna de infidelidade (ausência de fé e firmeza na Palavra) apontada para o coração do plantador. A sedução pelo “sucesso” e a frustação pelo “fracasso” andam de mãos dadas querendo dar um abraço apertado no plantador e nunca mais soltá-lo. Então, o maior desafio de um plantador de igreja é ser e permanecer fiel ao Senhor Jesus e Sua Palavra, até o dia final.


Conte-nos algumas das experiências com Deus que o irmão tenha considerado mais significativas em sua trajetória de abertura de igrejas.

Em Tupã, foi o nascimento em mim do chamado claro para plantar Igrejas, após vencer as lutas iniciais de adaptação no casamento e no ministério, sempre trabalhando com muita dificuldade e distante de familiares, de colegas de ministérios e com limitação financeira. Tudo foi superado e suprido pela suprema mão do Senhor. Emancipar a Igreja, assistir o nascimento da minha filha e discernir o chamado de Deus para a plantação da ICE Guaratinguetá, foi sensacional.

Em Guaratinguetá, foi a confirmação do chamado e cuidado do Senhor com a família. Roseli conseguiu trabalho em sua área de formação como professora de deficientes visuais, isso se deu com uma clara intervenção do Senhor. A aquisição e construção do patrimônio da Igreja, a conquista da nossa primeira casa própria e a adoção do nosso filho Jabes. Em tudo tivemos a mão do Senhor bem de perto. Glórias ao Senhor!

Em Taubaté, foi um tempo de crescimento (as crianças cresceram) e o aprimoramento no ministério, privilégio conduzido pelo Senhor. Roseli avançou em sua formação acadêmica (fez pós-graduação) e conseguiu, em concurso da prefeitura de Taubaté, a única vaga de professora para deficientes visuais. A Igreja local me abençoou com o curso do Mestrado em Ministério, nossa filha se graduou na UNITAU como nutricionista, nosso filho serve ao Exército Comando de Aviação em Taubaté. Nada nos faltou na transição de Guaratinguetá para Taubaté, Deus só acrescentou!

Em Pindamonhangaba, Deus não se esqueceu. Como citado no breve histórico acima, a Congregação de Pindamonhangaba foi descontinuada no início do ano de 2016, mas, alguns poucos irmãos remanescentes dessa primeira fase se mantiveram no firme desejo de servir ao Senhor, com a nossa identidade Cristã Evangélica. Naquele mesmo ano fomos procurados para a reabertura dos trabalhos naquela cidade. Para mim foi uma porta que se abriu para a continuidade do ministério de plantação. Pois já estava, a meu ver, no tempo exato de encerrar o ministério na ICE Taubaté.


Como uma igreja, mesmo pequena, pode ajudar na plantação de outra igreja?

De muitas formas. Em Guaratinguetá, ainda não tínhamos a filosofia atual da Igreja Mãe. A MEAR da época, criou um consórcio das Igrejas e a ampla maioria delas ajudou em oração, com finanças e presença em atividades evangelísticas e mutirão na construção. Destaco a pequena igreja de Nazaré Paulista - SP, a 156 km de Guaratinguetá. Entenda-se “pequenas”, somente em volume de pessoas, pois elas são grandes e saudáveis em obediência ao chamado à justa cooperação de cada parte e, por isto, tanto quando as “grandes”, as “pequenas” igrejas podem se tornar imprescindíveis no processo de plantação de uma nova igreja. Em razão dos conceitos e preconceitos formados em torno das igrejas e seus estereótipos, naturalmente há maior empatia e identificação de uma igreja em plantação com uma igreja menor. Ambas podem e devem se ajudar mutuamente.


Que conselhos você daria para os jovens pastores que pretendem plantar uma igreja?

Não plante igreja. A menos que:

Tenha qualquer experiência pastoral em uma igreja já formada. Plantar igreja é como reproduzir sua vida cristã em outros, tornando-se a referência teórica e prática da vida cristã. Plantar igreja não é uma aventura, antes, é um desafio para adultos na fé, na caminhada com o Senhor, em tomada de decisões responsáveis e duradouras, em perseverança.

Tenha suporte, arrimo firme. Uma forte, saudável e presente Igreja Mãe é indispensável para o sustento integral do plantador, bem como os amigos e conselheiros por perto. São dois, os grandes e inevitáveis perigos (tentações) que um plantador pode enfrentar: a amargura e frustração do “insucesso”, por “n” razões, somado ao frequente desejo de desistir; e a soberba e arrogância do “sucesso”, o caminho mais curto para a ruína espiritual do plantador.

Tenha plena certeza que Deus o está enviando para a missão de plantar uma Igreja. Isso deve incluir toda a família, esposa e filhos, caso tenha e é bom que tenha. Não recomendo ir sozinho.