Frutos ministeriais na velhice

A palavra “ainda” se destaca nesta observação sobre o justo: na velhice “ainda” darão frutos, e serão cheios de seiva e de verdor (Sl 92.14). Eles são ricamente usados por Deus por 20, 30, 40 e outros ultrapassam o meio centenário. As boas experiências e a maturidade os qualificam a serem instrumentos nas mãos de Deus com maior eficiência do que nos primeiros anos. Este “ainda” nos convida a considerar uma questão que vai contra um pensamento não bíblico alimentado por muitos. A Bíblia não fala em aposentadoria. Moisés viveu 120 anos, e terminou seus dias em pleno exercício do ministério. Calebe aos 85 anos alimentava uma promessa de conquistar Hebrom e com muito entusiasmo pede a Josué o privilégio de ir à guerra e lutar. Os anaquins e suas cidades fortificadas não o acovardou. O apóstolo João, já bem idoso, foi exilado pelo imperador Domiciliano para a Ilha de Patmos e ali recebeu a revelação do Apocalipse. Anos mais tarde após a morte do imperador, ele recebe autorização para voltar à cidade de Éfeso onde continua pastoreando até a sua morte com mais de 90 anos. Há quem diga que era levado para os cultos carregado em uma maca. Concluiu sua carreira servindo o Senhor.


A história da igreja é construída por marcantes histórias semelhantes. George Muller, ao completar 70 anos realizou um antigo sonho de seus dias de atividades ministeriais. Viajou até completar 87 anos por 42 países, pregando em média uma vez por dia e dirigindo-se a cerca de três milhões de pessoas.


J. Oswaldo Sanders aos 89 anos testemunhou que desde os seus 70 anos havia escrito um livro por ano. Ele fez a seguinte oração: ó Deus, não permita desperdiçar meus anos finais! Não permita comprar o sonho da aposentadoria americana – mês após mês de lazer, brincadeiras, hobbies, vagar ociosamente na garagem, arrumar repetidas vezes os móveis, jogar golpes, pescar, assentar-me no sofá e assistir televisão. Senhor, tenha misericórdia de mim. Poupe-me desta maldição.


O pastor Natalício de Almeida Leite, falecido em outubro de 2019 aos 73 anos com limitações em sua saúde “ainda” empenhava-se por evangelizar seus vizinhos e os reunia semanalmente em sua casa para estudar a bíblia. Com igual esmero, todas as segundas feiras fazia devocional com os funcionários do Seteceb. Vinte minutos antes de sua morte pregou sua última mensagem.


Todos estes testemunhos nos estimulam a reavaliar a questão da aposentadoria. O Deus da eternidade não nos vê como o mundo corporativo. Ele nos quer frutíferos, dando frutos na velhice, filhos temporãos, para a glória do Eterno Deus. A palavra de Deus nos convida a considerar este “ainda”, e a dizer como Davi: “não me desampares, pois, ó Deus, até à minha velhice e às cãs; até que eu tenha declarado à presente geração a tua força e às vindouras o teu poder “(Sl 71.18).


Pr Jessé Bispo – Capelão do SETECEB