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Guia para um ensino bíblico relevante na Igreja Local

O ensino das Escrituras é imperativo em toda a Bíblia. No Antigo Testamento Deus o fez de maneira pessoal e depois por meio de Moisés, dos Profetas e outros, e no Novo Testamento por meio de Jesus e dos seus discípulos. O próprio Jesus ocupou grande parte do seu tempo ensinando as Sagradas Escrituras. Felizmente a Igreja, aqui falando da ICEB, compreendeu bem essa necessidade e o seu diferencial é justamente fomentar o ensino da Palavra de Deus nas Igrejas Locais.


A título de definição, nos parece bem claro que o “Ensino Bíblico” é o ensino (transferência de conhecimento) da Bíblia. A própria Bíblia é o conteúdo a ser ensinado, transmitido pelo professor que traz consigo seu contexto cultural, bem como sua Cosmovisão, ou seja, visão de mundo, o que certamente influenciará na transmissão desse conhecimento bíblico nas suas aulas.


Seguindo o exemplo das escolas regulares, que têm um ensino sistematizado do conteúdo a ser trabalhado, nas nossas Igrejas se faz necessário que o ensino bíblico também seja feito seguindo um caminho, ao qual nós chamamos de currículo, facilitando o planejamento do que deve ser ensinado pelos dirigentes locais, e nos dá a segurança de que todos os temas essenciais abordados nas Escrituras serão trabalhados, de Gênesis a Apocalipse, dividido por faixas de idades.


Os números de uma pesquisa do Instituto Barna[1], nos Estados Unidos, mostram que apenas 30% dos jovens que nasceram em lares cristãos permanecem na igreja. Conforme Augusto Nicodemus[2], isso se dá por esses jovens terem uma fé moribunda, resultado de um ensino bíblico que não privilegia questões de fé, chamado e cultura; uma “fé doente”, identificada nos jovens que ficam desconectados da fé antes dos dezesseis anos de idade.

Esse tem sido o perfil dos alunos que não receberam um ensino bíblico eficaz. Assim, se faz necessário pensarmos num ensino bíblico que seja realmente formativo, resultando num cristão maduro espiritualmente.


O guia para o ensino bíblico nas igrejas, começa com: 1. Organizar a equipe (um responsável, professores). Quanto mais pessoas puderem compor a equipe melhor, sendo que o ideal seria a liderança ter um diretor, um coordenador e um secretário; 2. Preparação periódica da equipe, nas áreas de pedagogia cristã, cosmovisão cristã, apologética, exposição e aplicação cristocêntrica da Escritura e organização do plano de aula; 3. Planejamento das aulas utilizando o currículo (itinerário formativo). Logo abaixo haverá um modelo proposto; 4. Ter uma filosofia de ensino, como por exemplo: “formar jovens com uma cosmovisão cristã”; 5. Avaliação do processo e dos alunos.


A Palavra de Deus é uma grande história, dividida em três capítulos principais: criação, queda, redenção. As pequenas histórias servem à história principal. A Bíblia não é formada por histórias isoladas, tratadas em si mesmas, desconectadas da grande história. Ela é sistematizada, ordenada, é um conjunto de histórias que servem a uma história principal, orientativa para o planejamento do currículo.


Certamente, o currículo é o ponto de maior importância para o ensino bíblico relevante. O ideal é pensar o currículo a longo prazo, abrangendo, por exemplo, pelo menos até os 17 anos. Mas caso não seja possível, pelo menos a médio (3 anos) ou a curto prazo (um ano). O importante é ter um norteador das práticas de ensino (ponto de partida e de chegada).


Segue proposta de um currículo para 0 a 17 anos: 0 a 3 anos – Bibliologia, doutrina da Bíblia, Teologia própria, doutrina de Deus; 4 a 6 anos – Antropologia, doutrina do Homem, Teologia própria, doutrina de Deus, Hamartiologia, doutrina do Pecado, Cristologia, doutrina de Cristo; 7 a 8 anos – Hamartiologia, doutrina do pecado, Cristologia, doutrina de Cristo; 9 a 11 anos – Soteriologia, doutrina da Salvação, Pneumatologia, Espírito Santo; 12 a 14 anos – Eclesiologia, doutrina da Igreja, Cristologia, doutrina de Cristo, Cosmovisão Cristã e Apologética; 15 a 17 anos – Angelologia e Demonologia, doutrina de anjos e demônios, Escatologia, doutrina das Últimas Coisas, Apologética, defesa da fé e Cosmovisão Cristã.


O Senhor Jesus é nosso modelo de ensino das Escrituras. Ele fez com excelência, e nos convida a fazermos com excelência. “Equipes de EBD”, façamos de todo o coração, como para o Senhor (Cl 3.23). Ensinar é uma tarefa necessária da igreja, deixada pelo Senhor Jesus (Mt 28.20). O Senhor nos deu esse “bastão”, precisamos nos empenhar e garantir a essa geração e às vindouras o pleno conhecimento de Deus registrado na Bíblia.


[2] NICODEMUS, Augustus. Cristianismo na Universidade. Ed. Vida Nova, 2019.


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Ed. Cristã Márcia G. G Silva

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