top of page

JESUS, SENHOR DA NOSSA ADORAÇÃO

Seres humanos têm uma inclinação natural para cultuar, adorar algo ou alguém. Em todas as culturas do mundo essa busca por algo que transcende a nossa realidade material fica evidente. O senso que todo homem tem de Deus vem de fábrica. O reformador João Calvino afirma: "Consideramos além de qualquer dúvida que existe nas mentes humanas e, de fato, por instinto natural, algum senso de Deus [sensus divinitatis], uma vez que o próprio Deus, para evitar que qualquer homem finja ignorância, imbuiu todos os homens de alguma ideia de sua divindade, cuja memória ele constantemente renova e ocasionalmente amplifica, de forma que todo homem esteja ciente de que há um Deus, e que ele é seu Criador, e seja condenado por sua própria consciência quando deixa de adorá-lo e de consagrar sua vida a seu serviço”[1].


James Smith nos esclarece que o “Ser humano é ser um animal litúrgico, uma criatura cujos amores são moldados por nossa adoração. E adoração não é algo opcional”[2]. O Bispo Agostinho de Hipona afirmou em suas Confissões: “Fizeste-nos para Ti e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em Ti”. A adoração é, portanto, como uma bússola que dirige o homem.


A adoração é central na vida da igreja


A Adoração é central na nossa vida e na vida da igreja. Matt Merker observa que “...cerca de 40 capítulos das Escrituras são dedicados à descrição, construção, dedicação e uso do Tabernáculo, enquanto apenas dois são dedicados ao relato da criação. Além do mais, o Tabernáculo era posicionado no centro do acampamento israelita (Nm 1.52-53 e 2.1-2), como referência à centralidade do culto para a nação”[3].


O Culto de uma Igreja vai dizer muito sobre a saúde espiritual dela. Se errarmos no culto, erraremos em todo o resto. É impossível uma igreja ser saudável com um culto distorcido.  Deus rejeita culto desde que reprovou a oferta de Caim (Gn 4). Culto não é uma questão do gosto de cada um, mas uma questão do gosto de Deus. O testemunho coletivo dos credos reformados nos apresentam o princípio de que cada parte do culto deve estar imposto pela Escritura. A Confissão de Fé de Westminster, por exemplo, diz: “... o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo, e é tão limitado pela sua própria vontade revelada, que ele não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens [...] ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras”[4].


O Culto foi a questão central da correção efetivada pelos reformadores. O princípio do Sola Scriptura (Somente a Escritura) levou à eliminação de cerimônias e rituais extrabíblicos e a uma simplificação do Culto. O princípio do Solu Christus (Somente Cristo) conduziu à reforma da missa. Considerando a finalidade da expiação, a eucaristia passou a ser vista como uma ceia, não como sacrifício; como uma refeição, não como uma missa; administrada por um pastor, não por um sacerdote; em uma mesa, não em um altar. Visto que os crentes são justificados em Cristo como a “fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10.17). O princípio do Sola Fide (Somente a Fé) significava que os cultos seriam ocupados por conteúdo bíblico na língua vernácula. Porções substanciais seriam lidas, pregadas, cantadas e oradas. O princípio do Sola Gratia (Somente a Graça) significava que os cultos seriam repletos de oração, pois a dependência da iniciativa soberana de Deus era claramente entendida. O princípio do Soli Deo Glória (Glória somente a Deus) significava que cada elemento da adoração deveria ser administrado Soli Deo Glória, tudo para a glória de Deus.


Jesus é central na adoração


O Novo Testamento é muito claro em apresentar a supremacia de Jesus em nossas vidas e como essencial para nossa adoração. Em Colossenses 1 Paulo aponta que Jesus é essencial na revelação de Deus, na criação, na filiação, na ressurreição, na vida da igreja e que Jesus é a própria essência de Deus. Ele é toda a plenitude de Deus! (vs. 19-20). Jesus também é essencial para a adoração a Deus. Ele mesmo afirma que era o único caminho até o Pai (Jo 14.6). No Antigo Testamento ninguém poderia se apresentar no Templo sem oferecer um sacrifício, e cada cerimônia no sacerdócio levítico apontava para Cristo. Hoje, podemos oferecer culto a Deus somente por meio de Cristo; caso contrário, seríamos consumidos por causa de nossos pecados. Então Cristo é tanto o mediador para que possamos nos achegar a Deus, quanto é o Deus a ser adorado no culto. Fomos criados por ele, fomos redimidos por ele e seremos glorificados por causa dele. Tudo é dele, por ele e para ele (Rm 11.36).


Concluímos que o culto de uma Igreja depende completamente da obra e do governo de Cristo. Portanto, um culto bíblico tem oração, ofertório, confissão, leitura, salmos, hinos, cânticos espirituais, pregação, ceia e benção apostólica. E todos estes elementos precisam estar centralizados em Cristo, o Senhor da nossa adoração.



[1] Institutas 1.3.1

[2] SMITH, James – Você é aquilo que ama, pg 46, Ed. Vida Nova, 2017.

[3] MERKER, Matt – Culto Público – a igreja reunida como povo de Deus. Ed. Vida Nova, 2022.

[4] Confissão de Fé de Westminster – Cap. XXI, 1.

 

Pr. Tiago Leite

Reitor do SETECEB

Comments


bottom of page