Novos tempos: A condução espiritual do lar

“Não sei o que fazer com a minha filha. Ela disse que ‘acha que é lésbica.’” (Mãe da Joana, 12 anos)

“Meu filho não me obedece e é muito bagunceiro. Tenho vergonha de ir aos cultos por causa do comportamento dele. Ele só fica quieto quando está com o celular e não tem jeito de fazê-lo dormir antes da meia-noite.” (Mãe do Carlos, 4 anos)

“Não vejo a hora desses meninos voltarem para escola. Eles não param quietos, não obedecem a gente.” (Pai da Loreen e do Guido, 5 e 4 anos, respectivamente)

“Descobri que nossa filha pré-adolescente está viciada em quadrinhos eróticos.” (Mãe da Andreia, 12 anos)


Eis histórias reais[1] e comuns, não somente em tempos de pandemia. Você certamente já viu ou viveu algo parecido e, imagino, não se surpreenderá ao saber que os casos acima se deram em famílias cristãs; uma delas de missionários, duas outras de líderes de igreja.


Há muito que ouço queixas quanto à educação que os pais de hoje têm dado a seus filhos, o que motivou eu e minha esposa a dedicarmos mais tempo à meditação bíblica sobre este assunto, mesmo antes de nos casarmos.


Mas o problema não é novo, apesar de atual. Pesquise na internet e logo surgirá uma miríade de livros sobre educação de filhos, técnicas e filosofias educacionais para todos os gostos. É só escolher. Mas escolher o quê?


Pais crentes em Jesus certamente querem criar bem seus filhos, e antes mesmo de procurar uma técnica infalível (existem ótimas técnicas) ou o livro mais badalado (há livros preciosos sobre o assunto), os pais devem lembrar daquilo que considero a lição mais importante que Deus nos deu com a pandemia quando o assunto é a relação entre pais e filhos: Não terceirize a educação de seus filhos!


Você, pai (e também a mãe), é o principal responsável por estabelecer os alicerces do futuro homem ou mulher que seus filhos serão (Dt 6.4-9). A escola pode até ensinar matemática, português, geografia e história, mas seu filho precisa conhecer o Criador da lógica, da linguagem[2], do mundo e do tempo e, que este mesmo Criador deu propósito para tudo isto.

O Senhor Jesus diz para deixar que nossas crianças se cheguem a Ele (Mt 19.14), contudo não espera que elas vão sozinhas, mas conduzidas pelos pais (Mt 19.13). Por isso, pai (e mãe também):


· Permeie sua vida com a Palavra de Deus (Dt 6.6). Conheça o Deus que você quer transmitir. Homem, tome a iniciativa. Mulher, auxilie o homem a tomar a iniciativa (É... geralmente é assim...)


· Torne Jesus parte da rotina familiar (Dt 6.7). Tudo o que nos mantém vivos e saudáveis (alimentação, água, ar, sono) precisa de rotina com intervalos mais ou menos curtos. Cantar para Deus, ouvir e falar sobre o Evangelho e orar podem ter momentos “soltos” no dia, mas separe um horário especial para juntos, cultuar em família. (Culto doméstico, é você?!)

· Memorize porções da Bíblia (Dt 6.8-9). Sabe aquela frase de filme super impactante que você sabe de cor? Ainda mais impactante é ter trechos da Palavra de Deus à disposição da memória para os momentos de necessidade. Você e sua família estarão em vantagem quando o tentador vier (Mt 4.3-4).


Mas você pode dizer, “nada do que foi dito aqui é novo.” Exato! Então, por que não começar? (2 Rs 5.13). Novos tempos nem sempre exigem novas respostas.



 


Pr Pedro Vieira

Missionário da MCE no sertão paraibano

Pedro e sua esposa Mariana são fundadores

do Centro de Treinamento Casa Amarela

@mistocrente

@ct_casaamarela

[1] Exemplos de casos reais atendidos durante a pandemia. Nomes alterados. [2] A rigor, lógica e linguagem não são criações, mas são como o amor e a justiça, características do Ser de Deus que herdamos enquanto imagem e semelhança Dele.