O QUE A ICEB CRÊ A RESPEITO DE DEUS PAI?

Cremos em Deus Pai, pessoal, espírito, eterno, infinito, imutável e insondável em seu ser, criador, preservador e consumador de todas as coisas; o qual se revelou ao mundo pelo Filho e pelas suas obras, dando-nos a conhecer a si mesmo e tudo quanto requer para nossa conduta e procedimento aqui no mundo. Sl 9.2; 139.7-12; Is 40.28; Jr 10.10; Mt 5.45-48; Mc 12.19-30; Lc 12.32; 24.39; Jo 1.18; 4:24; 5.37-39; 14.28; At 17.24-29; Rm 1.20; I Co 8:4-6; 1Tm 1.17; Tg 1.17 e18 (Confissão de Fé da ICEB, Artigo Art 2º).

Toda a nossa teologia é um estudo sobre Deus, no entanto, a nossa Confissão de Fé dedica um capítulo inteiramente a Ele, o nosso Deus Pai. O Pai é considerado pelos teólogos a primeira pessoa da Trindade, por isso Ele recebe várias vezes nas Escrituras o título de Pai, título este não é atribuído às demais pessoas da Trindade, ou seja, ao Filho e ao Espírito Santo. O próprio Senhor Jesus usa o termo Pai ao se referir a esta primeira pessoa da Trindade (Mt 26.19; Lc 23.46; Jo 14.2; 17.1). Da mesma forma Ele ensinou que os seus discípulos orassem ao Pai (Mt 6.9).


O Deus Pai, assim como o Filho e o Espírito Santo são descritos em nossa Confissão de Fé, e principalmente nas Escrituras, como sendo um Deus único (1 Co 8.6) e pessoal; isto é, Ele se relaciona e se comunica com a sua criação, especialmente com os homens (Sl 40.1-3); Ele também é um ser espiritual e não físico (Jo 4.24); é eterno e infinito, isto é, nunca teve início e nunca terá fim. Ele, conforme 1 Timóteo 1.17 é eterno, imortal e invisível. Ele existe de eternidade a eternidade (Sl 90.2). Ele também é infinito em sabedoria e poder, pode todas as coisas (Jr 10.10; Rm 1.20) e sabe de todas as coisas, do passado, presente e futuro (Sl 139.7-12).


O nosso Deus e Pai também é descrito em nossa Confissão de Fé como um Deus imutável. Nele não pode existir variação ou sombra de mudança (Tg1.17). Conforme Louis Berkhof a imutabilidade de Deus é a perfeição pela qual não haverá mudança não somente em seu ser, mas também em suas perfeições, em seus propósitos e em suas promessas. Seu conhecimento, seus planos, seus princípios morais e suas volições permanecem sempre os mesmos. (Teologia Sistemática – Berkhof, p. 61).


A nossa Confissão, a partir deste ponto, aponta as singularidades do Pai em relação às demais pessoas da Trindade. Deus Pai é o principal agente na criação e preservação do mundo. Conquanto sejamos informados que toda a Trindade tenha participado da criação, e consequentemente participa de sua preservação, esta tarefa foi preconizada por Deus Pai. Ele criou o universo do nada. Pela sua Palavra tudo veio a existir (Gn 1.1; Sl 33.6,9; At 17.24 -26; Hb 11.3). E não somente o nosso Deus Pai criou o mundo, mas ainda hoje Ele o sustenta com o seu poder. A criação se torna dependente dele para a sua subsistência. Ele tem domínio sobre a alma de todo o ser vivente (Jó 12,10). Nele vivemos, nos movemos e existimos (At 17.28).


Deus Pai também é o consumador de todas as coisas. Ele cumprirá todos os seus propósitos e nada acontecerá à parte de sua vontade perfeita. Pois nenhum de seus propósitos pode ser frustrado (Jó 42.2). Deus Pai é o criador do mundo, Ele mesmo será o responsável pelo seu desaparecimento e pelo surgimento do novo Céu e nova terra (2 Pe 3.13).


Finalmente a nossa Confissão de Fé afirma que Deus se dá a conhecer ao homem, pelas suas obras, mas especialmente pela sua Palavra. A sua Palavra revela a sua vontade perfeita (Rm 12.3) e os seus propósitos para o homem. Toda a Escritura capacita o homem para o Céu e também para toda boa obra aqui na terra (2 Tm 3.16). Nesta revelação especial as Escrituras apontam para Jesus, o Deus Emanuel, encarnado, que habitou entre nós (Jo 1.14). O Deus que falou aos antepassados através de profetas e leis, agora nos fala através de Jesus (Hb 1.1-3). Desta forma tudo o que se pode conhecer de Deus, o Pai, está estampado no Filho. O Filho é a expressão exata do seu ser. Quem vê o Filho vê o Pai, conforme nos ensinou o próprio Senhor Jesus (Jo 12.45; 14.9 a 10).


É desta forma, singular, mas muito pertinente, que a Confissão de Fé da ICEB descreve a pessoa do Pai. Assim cremos.

 

Pr. Luiz César N. Araújo.