O QUE CREMOS SOBRE A CEIA DO SENHOR?

Cremos que o Senhor Jesus Cristo instituiu a Santa Ceia, com os elementos pão e vinho, representantes de Seu corpo e sangue, para manter a comunhão dos santos e anunciar a morte, ressurreição e a segunda vinda de Cristo. Mt 26.26-31; Mc 14.22-26; Jo 6.42-59; 1 Co 11.23-29. (Confissão de Fé da ICEB - Artigo. 13º).


A ICEB, como todas as igrejas genuinamente cristãs, entende que a Ceia do Senhor, juntamente com o Batismo, é uma ordenança do Senhor Jesus à sua igreja que deve ser obedecida até que Ele volte. Vejamos o que a sua Confissão de Fé julga como importante:


1- A CEIA DO SENHOR É UMA INSTITUIÇÃO – Jesus mesmo a instituiu no final de seu ministério na terra. Todos os Evangelhos fazem menção a ela (Mt 26.26-31; Mc 14.22-26; Lc 22.19-23; Jo 6.42-59), bem como o livro de Atos (At 2.42) e a Epístola de 1 Coríntios (1 Co 11.23-29). Neste sentido a Ceia não é uma opção para a igreja, é questão de obediência realizá-la e participar dela. Jesus ordenou: fazei isto em memória de mim (1 Co 11.24 e 25). Observemos que já no início da igreja temos a ministração da Ceia do Senhor por parte dos Apóstolos (At 2.42, 1 Co 11.25...).

Na tradição da Igreja Cristã Evangélica a Ceia é celebrada uma vez por mês em todas as nossas igrejas. Ainda, segundo esta mesma tradição e documentos oficiais, a Ceia é ministrada por um pastor ordenado. A distribuição da mesma à igreja é oficiada pelos presbíteros e em algumas igrejas também pelos diáconos. Entendemos que, ainda que não haja nas Escrituras nada que impeça qualquer pessoa de batizar e ministrar a Ceia, não há nada também, nas mesmas Escrituras, que as autorize. Lembremos que em situação semelhante foram os discípulos que distribuíram o pão às multidões (Mt 14.19 e 15.37). E foram os Apóstolos, e depois os diáconos, que distribuíram a porção de alimentos às viúvas (At 6.1-6) no início da igreja.


2- A CEIA DO SENHOR É CELEBRADA COM PÃO E VINHO – Na Ceia que o Senhor Jesus serviu aos seus discípulos temos dois elementos: o pão e o vinho. A ICEB, no entanto, semelhantemente a muitas denominações, utiliza, no lugar do vinho, o suco de uva. Julgamos que tal prática não fere o princípio bíblico, pois, tanto o vinho quanto o suco, têm como origem a uva, o fruto da videira (Mt. 26-29).


Estes elementos representam o corpo e o sangue de Jesus. Com esta declaração nossa denominação tem o entendimento de que o que acontece na Ceia não pode ser considerado como uma transubstanciação, como defendia alguns reformadores, especialmente os luteranos. Os elementos não se transformam no corpo de Cristo durante a Ceia; eles representam. O pão simboliza o corpo de Jesus, colhido, triturado e passado pelo fogo; o vinho simboliza o sangue derramado na cruz para remissão de nossos pecados. A presença de Cristo na Ceia, então, é espiritual, não física. Desta forma a Ceia tem que ser tomada com o máximo de reverência e contrição possível. Este é o sentido das palavras de Paulo ao asseverar que a Ceia deve ser tomada com reflexão, entendimento, para não ser alvo de alguma punição do Senhor (1 Co 11.27-30).


3- A CEIA DO SENHOR ESTIMULA A COMUNHÃO DOS SANTOS – A nossa Confissão tem o entendimento de que a Ceia enseja a comunhão dos crentes. Unir-se em torno da mesa do Senhor tornou-se símbolo de unidade e amor. Este é o sentido de Atos 2.42 e 44: E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações... todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Robert Kelley tinha o seguinte entendimento sobre este tema: A palavra comunhão significa posse comum, participação simultânea; e, segundo 1 Co 10.16, não há dúvida de que a participação do pão e do vinho representa a participação do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, consequentemente todos os que tomam o pão e o vinho , na comunhão, devem ser aqueles que, depois de se examinar têm publicamente que, em companhia de todo o povo de Deus, são possuidores simultâneos do Corpo e do Sangue do Salvador e participantes dos benefícios que daí promanam (Práticas Pastorais – Douglas Nassif Cardoso, p. 9).


Certamente o Apóstolo Paulo, ao advertir os irmãos que tomavam a Ceia antes dos demais, nutria o sentimento de que a Ceia era tempo de comunhão e não o de buscar interesses pessoais. Ele já havia pronunciado que ao participarmos da Ceia estamos unidos em torno de um só pão e um só corpo (1 Co 10.17). Grudem nos ajuda com o seguinte pensamento: Quando participo da Ceia entro na presença de Cristo; lembro-me de que Ele morreu por mim; participo dos benefícios da sua morte; recebo alimento espiritual; e estou unido a todos os outros cristãos que participam da ceia. Que grande motivo de gratidão e de alegria deve ser encontrado na Ceia do Senhor (Teologia Sistemática – Wayne Grudem, p. 837).


4- A CEIA DO SENHOR ANUNCIA A MORTE, RESSURREIÇÃO E VOLTA DE JESUS.

Nos textos citados em nossa Confissão Jesus anuncia sua morte, ressurreição e seu retorno.

Sua morte foi o assunto principal enquanto Ele ministrava a Ceia. Disse Ele: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes do meu sofrimento (Lc 22.15). E ainda: Porque o Filho do Homem, na verdade, vai segundo o que está determinado, mas ai daquele por intermédio de quem ele está sendo traído (Lc 22.22). Jesus deu a entender que aquela era a última reunião com os seus discípulos, e que aquele cerimonial, do pão e do vinho, anunciava a sua morte. O Pão e o vinho faziam alusão ao corpo e sangue do Salvador (Mt 26.27,28). A partir de então o seu povo deveria celebrar a Ceia do Senhor “em memória de Cristo”, fazendo lembrar o seu sacrifício. Lucas narra da seguinte forma: E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim (22.19). Desta forma, ao partir o pão na presença dos seus discípulos, Jesus apontava para sua morte na cruz. Ele seria oferecido como o pão que desce do Céu e dá vida eterna a todo que dele se alimenta (Jo 6.48-51). O sangue servido era símbolo de seu sangue que seria vertido na cruz para remissão dos pecados, a exemplo do que significava o sangue dos cordeiros mortos no cerimonial do Antigo Testamento (Jo 1.29 e 1 Jo 1,7). Participar da Ceia é relembrar a morte sacrificial de Jesus em favor de seu povo. Ao dizer que o seu corpo era oferecido por nós (Lc 22.19), Jesus expressava a ideia de que o seu corpo era dado para benefício dos discípulos, e naturalmente para todos os que vierem a crer nele.


Jesus também deixou claro, enquanto ministrava a Ceia, que ela deveria trazer à mente dos discípulos, a expectativa de sua ressurreição e volta. A morte não seria o fim, mas o início do cumprimento de suas palavras. Jesus já havia dito várias vezes que ressuscitaria dentre os mortos (Mt 20.17-19; Lc 18.31-34).


Sobre a sua volta fez esta declaração durante a Ceia: e digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que hei de beber, novo convosco no reino de meu Pai (Mt. 26.29). A morte anunciada neste momento de tanta tristeza, seria vencida pela sua ressurreição e esquecida com a sua volta para reunir os seus. A ceia então não deveria ser somente uma lembrança do que Jesus fez na cruz, mas também o anúncio de um novo tempo que se implantará com sua vinda. Os discípulos, e por sua vez, a igreja, deveriam participar deste cerimonial aqui na terra, “até aquele dia” (Mc 14.25), o dia em que Jesus voltaria e conduziria os seus para o grande banquete em seu reino (Mc 14.26). Berkhof jubila ao dizer que a ceia não somente ratifica ao crente participante as ricas promessas do Evangelho, mas lhe garante que as bênçãos da salvação são suas, como possessão real. Tão seguramente como o corpo é alimentado e renovado pelo pão e pelo vinho, assim a alma que recebe o corpo e o sangue de Cristo pela fé, está agora de posse da vida eterna, e com a mesma segurança a receberá mais abundantemente ainda (Teologia Sistemática – Louis Berkhof, p.657).


Ao observarmos a forma simples, mas objetiva com que a nossa Confissão de Fé entende a Ceia do Senhor, nos sentimos seguros, como membros desta denominação, de sua fidelidade às Escrituras Sagradas. Temos segurança que em nossas igrejas a Ceia do Senhor é ministrada de maneira bíblica e abençoadora. Assim eu creio.


Pr. Luiz César N. Araújo

Presidente da ICEB