O SIGNIFICADO DE SALVAÇÃO ETERNA CONFORME A CONFISSÃO DE FÉ DA ICEB

Atualizado: Jun 23


Cremos na salvação eterna somente pela graça de Deus mediante a fé no sacrifício expiatório de Nosso Senhor Jesus Cristo, consumado na cruz, operada pela persuasão regeneradora do Espírito Santo, através do novo nascimento, selando-nos para o dia da redenção. Lc 19:10; Jo 16:7-11; At 4:12; Rm 4:24-25; 6:23; II Co 5:17; II Tm 2:19. CONFISSÃO DE FÉ DA ICEB - Art. 10º

O termo salvação por si só já significa a obtenção da vida eterna. Uma pessoa salva é uma pessoa que viverá eternamente com Deus no céu, mas a nossa Confissão amplia este conceito para “salvação eterna”. Salvação eterna tem um significado teológico muito singular. Quer dizer que desde a sua conversão o homem já tem garantida a sua eterna salvação. Esta compreensão da ICEB está de acordo com a teologia reformada que usa as expressões “segurança eterna” ou “segurança eterna dos crentes” como similares “salvação eterna”. Isto significa que o salvo jamais a perderá e nada e ninguém a tirará dele. Uma vez salvo, salvo para sempre.


Os textos bíblicos citados em nossa Confissão nos ajudam nesta compreensão:


Em Lucas 19.10 se diz que Jesus veio buscar e salvar o perdido. No contexto Jesus acaba de declarar que Zaqueu recebera a salvação. Jesus deu a Zaqueu a garantia de que ele é um homem salvo e não iria mais para o inferno eterno. Da mesma forma todos os convertidos recebem esta declaração de “salvo”. De Zaqueu não se diz que ele seria salvo, mas que a salvação já estava declarada e pronta: Hoje houve salvação nesta casa (v.9). É assim também com os demais pecadores. A salvação eterna é nos oferecida por Jesus.


Em João 16.7-11 Jesus outorga aos seus o Espírito Santo. Este tem o papel de convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo, bem como o de habitar nos salvos: Porque se eu não for o consolador não virá para vós outros (v.7). Desta forma, o Espírito Santo é a garantia de que somos de Jesus e de que seremos selados, guardados por este mesmo Espírito para a vida eterna (Ef 1.13). O Espírito Santo habita no salvo, santificando-o e conservando-o para a vida eterna.


Em Atos 4.12 temos uma das mais vívidas declarações de que uma pessoa em Cristo pode ser salva eternamente. Em Jesus, e em mais ninguém, nos diz Pedro, as pessoas verdadeiramente são salvas.


No texto de Romanos 4.24-25 temos uma compreensão ainda maior sobre a segurança eterna da salvação. O sacrifício vicário de Cristo e a sua ressurreição já garantiram a nossa justificação. Se a obra de Cristo está completa, isto é, Ele já morreu pelos nossos pecados e já ressuscitou, da mesma forma já estamos justificados. É algo que já aconteceu e nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1).


Aqui temos o que a Confissão Belga chamou de “A justiça imputada”. Um pecador é justificado, não pelos seus próprios méritos, mas pelos de Cristo (2 Co 5.19- 21).


Em 2 Coríntios 5.17 a revelação de que a salvação é um dom irreversível, está explícito. A expressão “tudo se fez novo” faz referência a esta nova natureza, que em Cristo o pecador recebe. Agora ele está ligado à Cristo e a sua vida foi renovada para a vida eterna.


Finalmente a nossa Confissão, no que diz respeito à salvação eterna, evoca o texto de 2 Timóteo 2.19. A expressão “O Senhor conhece aqueles que lhe pertencem” é uma garantia de propriedade. O salvo é conhecido por Deus e é propriedade de Deus, a exemplo da expressão que temos em 1 Pe 2.9, onde se diz que somos propriedade particular de Deus. Trata-se de uma posse definitiva eterna.


Desta forma, tanto no enunciado quanto nos textos citados a nossa Confissão laboram no sentido de que a salvação é nos dada por Cristo de uma maneira definitiva e eterna. Não existe em nossa Confissão nenhuma possibilidade de se dizer que um salvo pode deixar de sê-lo algum dia.


Conforme Wayne Grudem ao falar sobre a perseverança dos santos afirma: todos aqueles que verdadeiramente nasceram de novo serão guardados pelo poder de Deus e perseverarão como cristãos até o final da vida, e só aqueles que perseverarem até o fim realmente nasceram de novo.


Nos salvos se cumprirá o que Jesus prometeu em João 6.38-40: Eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. E a vontade de que me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia. De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia.


Pr. Luiz César N. Araújo.

Presidente da ICEB