Os perigos de uma vida de inconstâncias

Terça feira. Sim, é em uma terça feira que estou escrevendo esse texto. Depois de um bom café, sento-me à mesa a fim de produzir algo que seja relevante para você, meu nobre leitor. Mas não só isso. Busco compartilhar contigo parte da minha luta contra as inconstâncias. Lembro-me de eventos da infância e adolescência, um tanto quanto carregados da perigosa inconstância. Uma leitura iniciada e nunca terminada; um filme nunca visto até o final; uma conversa inacabada; compromissos firmados e, logo depois, cancelados etc.


Talvez assim como estou me perguntando agora você se pergunte: “melhorou?”. Eu diria que sim. Agora sou um esposo, pai e pastor com responsabilidades que nem sonhava em ter nos meus primeiros anos de vida. Mas ainda assim, sem os devidos cuidados, me vejo não concluindo leituras importantes; deixando para depois um filme com a esposa; sem concluir conversas; cancelando compromissos.


Compartilho isso com você, pois não quero parecer um coach de busca pela constância, estabelecendo uma espécie de vida perfeita, com sucesso em tudo o que me proponho a fazer. Deixo isso para os ilusionistas da fé. Mesmo assim, preciso te alertar quanto aos perigos de uma vida de inconstâncias.


Para muito além de um fraco desempenho pessoal no dia a dia, a inconstância é um problema antigo no meio do povo de Deus. Um povo criado para viver para sempre (constantemente) em comunhão com Deus, interrompe essa jornada por meio do pecado (Gn 3). Ao ceder à tentação, Adão e Eva acabam de ver uma vida de constante paz e comunhão com Deus ser destruída, abrindo caminho para a inconstância nesse relacionamento.


No decorrer da história do povo de Deus no Antigo Testamento, muitos começam a caminhada, mas não terminam. A interrupção de pequenas tarefas no dia a dia revela o perigo de que o cristão, talvez, não consiga terminar bem a “carreira proposta” (Hb 12.1 e 2). A jornada no deserto de um povo vívido na busca pelo Senhor enquanto permanece escravo no Egito, revela o vacilante coração dos que outrora clamavam com fé, mas agora cedem ao desânimo e incredulidade (Nm 11). Mesmo após a entrada na terra prometida, o povo que jurou manter-se fiel a Deus, agora se vê em aliança com povos estrangeiros e deuses pagãos (Juízes).


Toda essa dinâmica de “hora fiel, hora rebelde” aponta para o maior dos perigos da inconstância. E está muito, mas muito além de ser um problema de performance. Trata-se da situação nas quais nossos corações se encontram: incapazes de se manterem constantes no amor a Deus sobre todas as coisas. Somos inconstantes porque não amamos Aquele que nos amou primeiro. Não o amamos porque não o conhecemos. Não o conhecemos, porque para isso precisamos ser constantes e “prosseguir em conhecê-lo” (Os 6.3).


Nosso desafio, portanto, é: perceber que aos nossos corações ocorre “buscai a presença do Senhor constantemente” (Sl 27.8); bem como responder: “buscaremos, pois, Senhor, a Tua presença constantemente” (Sl 27.8).


Que Deus nos livre da inconstância!


 

Pr Matheus Jacob

ICE Novo Horizonte

@matheusjacob1