TODOS OS DONS SÃO PARA HOJE?

Todos os dons são para hoje? Há entre os evangélicos diferentes posições quanto a esta pergunta. A respeito dos talentos naturais como: ensino, socorro, misericórdia, administração, aptidões musicais ou artísticas, não há nenhum questionamento ou dúvida sobre a continuidade deles. No entanto, os chamados dons miraculosos ou sobrenaturais como: falar em línguas estranhas, curas milagrosas e profecias preditivas, há três grupos divergentes: os continuístas, os cessacionistas e os intermediários.


1. Os Continuístas são aqueles fundamentados em Mc 16.17-18, onde Jesus disse: “os sinais hão de acompanhar aqueles que creem” e também em Hb 13.8 que diz: “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre”, entendem que todos os dons mencionados no Novo Testamento são válidos para hoje e, portanto, devem ser usados na igreja. Neste grupo estão inseridos tanto os Pentecostais quanto os Neo Pentecostais.


2. Os Cessacionistas. Esse grupo se originou na Reforma Protestante, época em que Calvino e outros Reformadores lutaram contra o ensino da revelação contínua. Tratava-se de uma heresia difundida na Idade Média que propagava que a Bíblia não era a palavra final de Deus e que Ele continuava se revelando à igreja através dos Papas e suas Encíclicas. Esta luta também foi travada com outro grupo, o chamado por Calvino de “Entusiastas”. Este era proclamador da crença que Deus continuava falando exatamente como falou durante o período dos Apóstolos. Por conta disso, a Reforma Protestante e as Confissões escritas neste período, apregoou que os dons espirituais da forma que houve no tempo Apostólico cessaram. Assim, um dos grandes lemas da Reforma foi: “Sola Scriptura”, ou seja, o que Deus tinha que revelar está na Bíblia.


Hoje a maioria das Igrejas Reformadas entende que os dons concedidos por Deus no tempo Apostólico, através dos quais vinham à revelação, como a profecia preditiva, curas miraculosas e línguas estranhas, fizeram parte de um tempo específico, e atualmente não há necessidade deles. Pode se comparar ao crescimento de uma pessoa, da infância à idade adulta, quando esses dons foram necessários para o aperfeiçoamento, edificação, crescimento e autenticação da Igreja (Conf. 1Co 13.11; Ef 4.7-16; Hb 2.3-4).


3. Os Intermediários. O termo “intermediário” foi usado por Wayne Grudem ao se referir a um grupo de reformados que defende, mesmo nos nossos dias, que Deus pode usar os dons miraculosos ou sobrenaturais, não como forma de novas revelações, mas para manifestar o seu poder, sua graça e misericórdia. Estes apregoam que “Deus é soberano para agir de diferentes maneiras e no tempo que bem lhe aprouver”. Portanto, é um erro argumentar que todos os dons tenham necessariamente de ocorrer em todo tempo, como pregam os continuístas. Nem tampouco restringir a ocorrência de determinados dons somente num período, como pregam os cessacionistas.


Suas argumentações são baseadas em Mt 11.13, quando Jesus disse: “os Profetas e a Lei profetizaram até João”. A interpretação é que em João Batista houve a transição entre a Antiga e a Nova Aliança e não o cessamento do dom de profecias. Também que em 1Co 13, Paulo, ao dizer sobre um tempo em que os dons de profecia, línguas e ciência deixariam de existir. Não estava se referindo à conclusão do Canon, mas à volta de Cristo, tempo em que a revelação não será fragmentada e temporária, mas completa e permanente (1 Co 13.8-10). Portanto, dizer que o Espírito Santo não concede os dons miraculosos ou sobrenaturais em nossos dias, ou que todos os dons espirituais mencionados no Novo Testamento estão disponíveis são extremos perigosos.


É importante considerarmos, no que tange ao dom de profecia, tanto os “cessacionistas” quanto os “intermediários, ao contrário dos “continuístas”, entendem baseados em 1Co 14.3 que os profetas de hoje sãos usados para edificar, exortar e consolar a igreja através da exposição da Palavra e não por profecias preditivas. Também quanto às curas, ambos entendem que Deus, como no passado, continua curando enfermos através dos seus servos (conf. Tg 5.14). Assim, não devemos sair por aí em busca de “profetas” e “profecias”, “milagreiros” e “milagres”, mas vivermos de acordo com o que a Bíblia ensina. Alimentando e servindo o bom alimento contido nas Escrituras. Não devemos nos abster, nem tampouco negar e importância do tema. Contudo não é saudável ficarmos nos ocupando em discussões sem fim, desprezando quem compreende de forma diferente, e assim podendo cair no erro de travar uma luta contra nós mesmos.

Pr. Saulo César da Silva

Pastor da ICE Bragança Paulista – SP

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