Corais na Igreja

Trinta minutos de uma boa mensagem bíblica cantada, com belos arranjos de jazz, e a homogeneidade do coral intercalada por solos e duetos, foram suficientes para abençoar todos os presentes no templo naquela noite. Após todos se sentarem, com muito cuidado, agora como pastor da Igreja (e não como o regente do coral), escolhi as palavras, e com coragem disse: “Não deixem o coral morrer!”.


Disse isso porque naquele ano em específico, o regente do coral praticamente “garimpou” cantores para a cantata de Natal. Parecia inacreditável! Mas apesar da pequena quantidade de cantores, o coral dos sobreviventes tinha mais vida que imaginávamos! Tudo isso porque ali ainda estavam aqueles que não só amavam cantar no coral, mas que sabiam do valor desse ministério na vida da igreja local.


Por ter formação musical desde pequeno, sempre fui um apaixonado por corais. Eu era capaz de transformar o tempo de cânticos do culto doméstico em um coral.


Vivi experiências singulares regendo alguns corais. Bons anos na ICE em Ceilândia, outros em escolas de Brasília, e três anos no meu período de formação ministerial no SETECEB. Talvez por viver isso tão intensamente, naquele dia que eu vi o pequeno coral agigantar-se como se clamasse para continuar vivo, eu disse em forma de apelo para que não deixassem o coral morrer.


Quando o coral da igreja morre, não são apenas os cantores que perdem, mas todos os envolvidos na atmosfera que este grupo tem a capacidade de promover. O contrário também é verdade; quando o coral da igreja permanece vivo, vários são os benefícios que ele pode oferecer. Abaixo destaco alguns:


· O coral é um excelente acessório nas liturgias do culto público – como é saudável para o coração chegar à igreja e ouvir o coral fazendo o prelúdio como uma música que lhe convida à adoração; pense, por exemplo, no coral na hora da ceia levando a igreja à reflexão da mensagem da cruz, da salvação, do perdão, do arrependimento e da comunhão.


· O coral é um instrumento para a comunhão do povo de Deus – quem participa do ambiente do coral, desfruta do privilégio de não só de se aproximar de outros irmãos, como de dividir juntos dos seus dons para edificação do povo de Deus.


· O coral é uma ferramenta de evangelização – o coral pode anunciar a mensagem genuína do evangelho além de suas portas. Por ser uma linguagem artística, ele é uma ferramenta singular para entrar em ambientes como hospitais, centros culturais, abrigos, asilos e outros afins.


· O coral é um instrumento de estímulo na formação de músicos para a igreja local – uma igreja que desenvolve a cultura de corais, está automaticamente influenciando na formação dos dons musicais de seus membros. A colheita é certa.


A minha fala como pastor na minha igreja local ainda soa viva por aqui: “Não deixem o coral morrer”. Neste ano atípico, devido as paralisações, ainda não ouvimos o coral, e possivelmente não ouviremos. As celebrações já não foram as mesmas.


Mas oro para que aqueles que lerem este texto, se estiverem por aí pensando em desistir dos corais de suas igrejas, sejam convidados para não só contribuírem com a vida do coral, mas fazerem deles vozes que anunciam a mensagem da salvação. Portanto, “que viva o coral!”.


Pr André Ramos

Pastor da ICE Nova Vida - SP